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terça-feira, 10 de março de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO


Sempre contara até mil, antes de ligar para Leo, também nunca me incomodara aparentemente, quando alguma menina lançava um olhar diferente sobre ele.
Porém, interiormente eu ficara com ciúme, pois ele era um rapaz muito lindo, e eu até entendera, pois ele chamara atenção, por onde passara.
Uma noite numa balada, um rapaz havia bebido muito, e viera me arrastar para o meio da pista, naquele dia, Léo partiu para cima dele, e foi muito complicado, provocando um alvoroço no outro dia, e um falatório pelo bairro onde morávamos, minha mãe e meu padrasto ficaram sabendo.
Eles esperaram eu chegar da escola e me disseram mil coisas, dizendo que a culpa era toda minha, que eu sempre provocara os rapazes, com minhas saias curtas,eu entrei no meu quarto e me sentindo um lixo, chorei muito.
Não porque me sentira culpada, mas sim, injustiçada.
No outro dia pedira desculpas ao Leo,que se envolvera em briga por minha causa, ele me assegurou com  toda certeza, de que a culpa não fora minha, a partir desse dia, passara a perceber, que sem o Leo,eu nada seria neste mundo, então minha paixão e amor, foram reforçados, como sintoma de pura gratidão.
Estávamos no começo de outono, e uma lua imensa, na noite, postada no céu,vínhamos caminhando por entre os arvoredos da rua, e tudo parecia tão especial, tão acolhedor ao lado dele.
Depois desse dia, meu padrasto, ficara extremamente implicante comigo,tudo que eu fizera dentro daquela casa, era motivo para ele esbravejar e já tocar no assunto.
 Minha mãe também concordara com ele, dizendo que eu também devera estar bêbada ,ou coisa assim, para ser motivo vexatório na balada, e que meu namorado deveria largar de mim.
Eu sempre me trancara no meu pequeno quarto e chorara muito, enfiando em minha consciência a culpa de tudo.
E daí, começaram a surgir outras acusações, fazendo um jogo de fatos, e acontecimentos, que acabavam me deixando confusa comigo mesma.
Ora fora porque eu tivera largado a porta aberta ao voltar da escola,ora porque eu houvera deixado a luz do banheiro acesa, e dentre as coisas que eu fazia, começara a ter duvidas até de minha sanidade, mas eu lembrara de Marcos e sua família, então uma luz acendera em meu caminho, pois ele houvera me dito qualquer coisa desse tipo.
Também lembrara quando ele apanhara de seu pai na minha frente, senti um aperto no coração, por isso, se os pais soubessem quanto é doloroso um filho apanhar na frente dos amigos, jamais o fariam, imagine na frente da namorada.
Mediante o que eu estivera passando, pudera avaliar o quanto fora difícil para ele.
Uma noite eu estava dormindo e acordara assustada, com uma mão passando pelo meu corpo, com minha boca tampada , um corpo brusco e pesado debruçado sobre mim, era meu padrasto,eu começara a me debater, ele tentara me sufocar, dizendo que me mataria, seu eu abrisse a boca.
Eu ficara me debatendo, enquanto ele rasgara toda a minha roupa, e invadira minha privacidade, da maneira mais absurda e cruel que possa existir, nesse momento eu arranhara o seu rosto, fincara minhas unhas, mas ele me estapeava e segurava minhas mãos,eu tentara gritar mas ele estava me sufocando, isso parecera durar uma eternidade, depois ele me disse, que ia me soltar, mas se eu contasse para alguém o que havia acontecido, ninguém iria acreditar, pois ele iria dizer, que eu que houvera lhe provocado.
Quando ele saiu do quarto, fui ao banheiro, abri o chuveiro tapando a boca para conter o choro enquanto me esfregara.
Porém,eu me sentira suja por dentro, uma sujeira que mesmo me esfregando com bucha e sabão, parecerá não sair, ficará impregnada na alma, depois sentira vontade de vomitar e vomitei bastante, sentada no chão do banheiro, sentindo a pressão baixa sem conseguir levantar.
Lavara o banheiro me arrastando voltara para minha cama, como minha porta nunca tivera chave,encostei minha cômoda na porta,arrastando.
Nesse momento eu contemplara suicídio, pois eu já estava morta e doravante viveria sem vida.
Terminaria com o Leo porque não teria coragem de contar, tamanha vergonha, nojo e revolta me invadiram.
Acabara dormindo e quando acordara no outro dia, levantara e me dirigira ao trabalho sem tomar café,sem vontade de nada,evitando ter que confrontar com aquele monstro.
Eu soubera da dependência de minha mãe em relação a ele, portanto começara a arquitetar um jeito de sair daquela casa o mais rápido possível,eu estava liquidada, destruída.