Marcadores

terça-feira, 10 de março de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO


Leo passara a manhã na faculdade e á tarde estudando, á noite me buscara no colégio e conversáramos um pouco, nossa vida havia ficado muito mais acelerada, mas mesmo assim, tínhamos um tempinho para nos vermos.
Eu gostava da seriedade de Leu, falara pouco, mas tudo que dizia tivera sentido, também gostara muito de brincar, em certas situações hilárias ocorridas, tanto comigo, como com ele.
Pois me passara total segurança, em sua maneira de ser, de se respeitar e fazer respeitado, sem se preocupar com o mundo ao nosso redor.
Eu fora muito feliz nas minhas amizades também, sempre tivera amigas sinceras, com as quais, eu pudera sempre compartilhar meus segredos,enfim,minha vida particular.
 Elas também me confidenciaram muita coisa...
É claro que ninguém pode ter um milhão de amigos,eu tivera colegas de trabalho, de escola, conhecidas e amigas verdadeiras.
Eu gostara muito do outono, pois sempre apresentara um clima ameno e tão acolhedor, gostara de poesias, mas tinha no Pablo Neruda e no Fernando Pessoa, minhas prediletas.
Eu dividira minha vida com Leo e os livros, lembrara que Marcos lera todos os livros junto comigo,já o Leo amava sair, praticar esportes.
Uma tarde meu celular tocou e eu não reconhecera o número, mas ao atender reconhecera a voz, era Marcos,eu em meio ao atendimento, pedira licença e me recuara para atendê-lo.
Ele me relatara que também estava trabalhando e que continuara estudar á noite, disse que sentira minha falta, mas mediante tamanha solidão houvera arrumado outra namorada.
Eu rira e dissera que não precisara se justificar,eu também houvera feito a mesma coisa, e sinceramente, dissera a ele, que a felicidade dele me fizera feliz também.
Ele fora de uma elegância tamanha, e também indescritível, percebera o quanto ele houvera crescido, também me perguntara sobre os livros, se eu continuara lendo e me dissera:
Que livro você está lendo agora?
Eu dissera: Pássaros Feridos.
Coincidência ou não, ele me disse ter terminado recentemente de lê-lo.
Minha mãe e meu padrasto, esticaram as férias, porque as aulas de meu irmão começariam uma semana depois, ele iria para a quarta série do Ensino Fundamental. Naquela semana, eu cuidara da casa e das minhas roupas, minha comida também.
Gostara da experiência, e sonhara um dia ter meu cantinho, e não aborrecer ninguém.
Mesmo porque, à medida que eu e meu irmão crescíamos, as desavenças cresciam também, nem seria tanto entre nós, não fosse a interferência de minha mãe, que sempre me culpara por tudo de ruim, que acontecera na vida dela, e elogiara meu irmão por tudo de bom, que ela sempre tivera.
Eu não conhecera meu pai, e também tinha um certo receio, em falar sobre ele, pois minha mãe, uma vez contara ao meu padrasto, que viera me dar broncas, dizendo que eu era mal agradecida.
 Então, eu procurara sempre ,olhar para o lado mais doce da vida, deixando os pormenores e chateações para trás.
E assim fizera...
Acreditara, que todo mundo precisara adquirir, uma certa estratégia para poder viver em paz, em harmonia consigo mesmo.
 Também acreditara na estratégia de que, mediante as detrações, tivera o direito de rechaçá-las, fazendo com que as mesmas, não me pertencessem,curioso fora perceber quão maravilhoso resultado, isso surtira.
Talvez essa estratégia, eu tenha absorvido, com a maneira de viver do Leo,embora ele tivesse uma família espetacular, mesmo assim, jamais ele se aborrecera com coisa alguma.
O tempo fora passando e aquele ano, tínhamos nossos encontros toda noite na saída das minhas aulas,eu vivia muito cansada porque levantara muito cedo e deitara muito tarde, mesmo assim, a juventude sempre acrescentara, uma certa vitalidade a mais na vida.
Já não tínhamos o sôfrego da paixão inicial, mas a ela havíamos agregado o amor, a confiança, e Leo passara a ser minha vida.
Ele fora como um modelo diferente, seguro e perspicaz, que eu tivera para reproduzir em mim também, mesmo que não fosse com tanta suavidade e intensidade ao mesmo tempo, mas o importante, que soara sempre como uma advertência colada em mim, para que jamais, de tal esquecesse.