Eu
entendera a situação de minha mãe, uma mulher super dependente financeira e
emocionalmente de meu padrasto,portanto,vivera enclausurada numa vida, que nem
fora exatamente dela, mas sim, a dele, o meu padrasto.
Eu
nitidamente, percebera, que ela jamais assumira seu papel como um ser vivente,
portanto, arrumara mil desculpas ao mundo, para não encarar a sua vida de
frente, e quanto eu fora a desculpa para todo mal que lhe ocorrera na vida,
quando esta julgada infeliz.
Eram rompantes,momentos,mas depois os dois
faziam as pazes, e se voltavam contra mim, deixando bem, claro que eu sempre
fora um estorvo, e a culpada pelas desavenças.
Eu
imaginara sempre, que um dia cresceria, e me preparara para me tornar auto
suficiente, pelo menos, para me manter longe deles, o que seria bom para ambas
as partes.
E por outro lado imaginara, qual seria a
desculpa, quando eu estivera longe da convivência deles, talvez acabaria sendo
culpada mesmo distante.
Eu,diferentemente
das outras meninas de minha idade, buscara e sonhara com um grande amor, alguém
que me oferecesse amor limpo e verdadeiro como o da Rafaela, embora fosse amor
afetivo.
Passei
a ler muito e estudar bastante, meu irmão já crescido, restara os afazeres de
casa quase na totalidade para mim, quando não cozinhara também.
Mesmo
assim, dormira mais tarde, levantara mais cedo para ter tempo para estudar, ler
livros interessantes que estavam além das meninas de minha idade.
A
bibliotecária de meu bairro, já me conhecera e quando chegara livros
interessantes, ela ligara, para me avisar.
Ela
era uma senhora de meia idade,evangélica,portando sempre os cabelos feito
trança, era bastante culta e pouco agradável, mas o importante é que ela
guardara os livros para eu ler.
Eu
procurara ser sempre pontual nas entregas, porque supunha que fora esse o
motivo de sua pouca agradabilidade.
Simplesmente
cumpria ordens, e certamente, alguém era com ela, o que refletira sempre aos
outros, ou pelo menos para mim, mas as meninas de minha sala de aula,
reclamavam dela também
Era
um limiar de primavera,eu voltava para casa da escola, e sentira no ar o cheiro
das flores baldias daquele bairro, olhando para os dois lados da rua, via que
eram de uma mesma espécie, não plantadas, mas nativas daquela região.
Tinham
a naturalidade das flores campestres mesmo, sem nenhum toque humano, pois as
pessoas simples daquele bairro, não tinham interesse algum, em cuidar dos
jardins.
Exceto
Rafaela ,que cultivara margaridas multicoloridas, dissera ela que primeiro,
comprara sementes, de um senhor ali no bairro da Liberdade.
Então
a partir daí, foram multiplicando sementes e canteiros, as quais, ela doara ás
suas freguesas da barraquinha de chinelos, na praça.
E
muitas delas também já tinham lindos canteiros como a Rafaela.
Quando
as cores se misturavam nas sementes, floresciam as mais diversificadas
tonalidades,eu ficara todo dia, um tempão olhando para elas.
O
zumbido das abelhas, em determinadas épocas do ano, era imenso, aquelas
margaridas deviam ter o pólen mais doce do mundo.
E
quanto mais polinizadas ficavam, mais cores apareciam, houve uma época, que os
tons de amarelos, assumiram quase uns verdes claros azulados.
Eu
chegara a pensar, que Rafaela fora uma espécie de anjo, e tudo o que ela
velara, ou tocara, tornara-se encantador.
Porém,as ruas e seus desleixos,ficavam a mercê de Deus,portanto,aquelas trepadeiras
ficavam apinhadas de pencas floridas, por todos os lados, por todas as casas.
Os
passarinhos e as borboletas, também esvoaçavam mais nessa época,eu olhava para
aqueles encantos,e meu peito ficara cheio de algum sentimento, que ia além de
admiração...
Então
imaginara, que a vida fora dotada, de todas as ferramentas possíveis, para se
esculpir a felicidade, bastara eu não me prender, pelo oposto.
Justamente, no advento da adolescência, parecera,
que novos sonhos se abriram como portais floridos, para um pensamento mais
leve, porém, em outros momentos, houveram conturbações de um artificialismo, que
rondara todas as mentes, que como eu adolesceram.
Lembrara , que nenhuma fase de minha vida, mexera tanto comigo,como a adolescência,ora uma
conturbação reprimida,ora os mais lindos sonhos de amor me levando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha