Quando me vinha á memória, as poucas lembranças.
Meu pai era plantador de verduras e
legumes, vivíamos das produções que ele mantinha para vender aos mercados e
quitandas.
Ele tinha uma horta num terreno ao lado
de nossa casa, de onde ele tirava nosso sustento.
Depois do falecimento de meu irmão,eu
olhava para meus pais e os sentia sempre tristes, e os acompanhava nas constantes visitas ao
cemitério, meu pai levava flores e velas, e as colocava no túmulo de meu irmão.
Minha mãe tinha um cabelo imenso, eu
sabia porque a via se penteando, mas a partir desse fato, ela o usava sempre feito um birote no alto da cabeça,
vestidos em tons mais escuros e sem estampas.
Recordo em tê-la visto muito tempo com
esse vestido de um marrom claro, mas
fechado.
Eu vivia distraída com os bichinhos no
quintal, quando estava em casa, gostava de ver as borboletas abrindo e fechando
suas asas bem compassadas, também admirava a infinidade de cores, mas tinham
umas escuras e imensas, que soltavam um pozinho das asas, e minha mãe dizia,
que aquele pozinho podia dar dor nos olhos.
O tempo foi passando, e eu via meu pai ás
vezes triste, as vezes alegre, mas parece que ele sentia uma saudade imensa de
meu irmão que se fora.
Foram guardadas algumas lembranças dele,
inclusive material escolar, um avião de madeira que ele havia feito e pintado
de azul bem clarinho.
Muitas vezes quando não tinha ninguém por
perto,eu fazia uns desenhos e pintava com os lápis de cores dele.
Eu adorava um rosa claro que deixava as
flores mais lindas quando pintadas.
Meu pai parecia sem norte ás vezes, mas
sempre, desde as primeiras lembranças, o sentia como nosso porto seguro.
E minha mãe o Márcio e eu podíamos nos
ampararmos sempre.
Porém, quando somos crianças, ainda não
sabemos que os adultos sofrem suas dores, suas fobias e inseguranças como as crianças também.
O tempo foi transcorrendo, e minha mãe
lavando e passando roupa para fora, ajudava nas despesas da casa, de vez em
quando ela fazia faxina também, para completar no orçamento quando este ficava
apoucado.
Meu irmão ajudava meu pai regar as verduras com uma mangueira, e quando
chegou a idade escolar, mesmo assim, ele passava meio período, ajudando meu pai
higienizar as verduras e legumes para serem
entregues aos compradores que vinham buscar, três vezes por semana.
Quando fiquei maior, assumi o serviço da
casa ,para que minha mãe pudesse ter um pouco mais de descanso, notávamos
sempre ela muito cansada.
Nossa vida era difícil, mas mesmo assim,
éramos uma família feliz.
Mesmo depois de anos o meu pai
mantinha-se inconformado com a perda de meu irmão, rezava e chorava muito
também, meu pai fora um homem que soubera chorar sem constrangimento..
Meu irmão cursou o primário, foi para o
ginasial, e eu já havia passado para o segundo do primário, quando meu pai
adoeceu.