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domingo, 25 de janeiro de 2015

FRAGMENTO DO ROMANCE_POR CULPA DO AMOR

Quando me vinha á memória, as poucas lembranças.
Meu pai era plantador de verduras e legumes, vivíamos das produções que ele mantinha para vender aos mercados e quitandas.
Ele tinha uma horta num terreno ao lado de nossa casa, de onde ele tirava nosso sustento.
Depois do falecimento de meu irmão,eu olhava para meus pais e os sentia sempre tristes, e os  acompanhava nas constantes visitas ao cemitério, meu pai levava flores e velas, e as colocava no túmulo de meu irmão.
Minha mãe tinha um cabelo imenso, eu sabia porque a via se penteando, mas a partir desse fato, ela o usava  sempre feito um birote no alto da cabeça, vestidos em tons mais escuros e sem estampas.
Recordo em tê-la visto muito tempo com esse vestido de um marrom claro, mas  fechado.
Eu vivia distraída com os bichinhos no quintal, quando estava em casa, gostava de ver as borboletas abrindo e fechando suas asas bem compassadas, também admirava a infinidade de cores, mas tinham umas escuras e imensas, que soltavam um pozinho das asas, e minha mãe dizia, que aquele pozinho podia dar dor nos olhos.
O tempo foi passando, e eu via meu pai ás vezes triste, as vezes alegre, mas parece que ele sentia uma saudade imensa de meu irmão que se fora.
Foram guardadas algumas lembranças dele, inclusive material escolar, um avião de madeira que ele havia feito e pintado de azul bem clarinho.
Muitas vezes quando não tinha ninguém por perto,eu fazia uns desenhos e pintava com os lápis de cores dele.
Eu adorava um rosa claro que deixava as flores mais lindas quando pintadas.

Meu pai parecia sem norte ás vezes, mas sempre, desde as primeiras lembranças, o sentia como nosso porto seguro.
E minha mãe o Márcio e eu podíamos nos ampararmos sempre.
Porém, quando somos crianças, ainda não sabemos que os adultos sofrem suas dores, suas fobias e inseguranças  como as crianças também.
O tempo foi transcorrendo, e minha mãe lavando e passando roupa para fora, ajudava nas despesas da casa, de vez em quando ela fazia faxina também, para completar no orçamento quando este ficava apoucado.
Meu irmão ajudava meu pai  regar as verduras com uma mangueira, e quando chegou a idade escolar, mesmo assim, ele passava meio período, ajudando meu pai higienizar as verduras e legumes para serem  entregues aos compradores que vinham buscar, três vezes por semana.
Quando fiquei maior, assumi o serviço da casa ,para que minha mãe pudesse ter um pouco mais de descanso, notávamos sempre ela muito cansada.
Nossa vida era difícil, mas mesmo assim, éramos uma família feliz.
Mesmo depois de anos o meu pai mantinha-se inconformado com a perda de meu irmão, rezava e chorava muito também, meu pai fora um homem que soubera chorar sem constrangimento..
Meu irmão cursou o primário, foi para o ginasial, e eu já havia passado para o segundo do primário, quando meu pai adoeceu.