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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO


Impossível dizer que não amara minha mãe, lembro-me de uma vez em que ela ficara preocupada comigo, porque eu estava com gripe ao voltar da maternidade, quando fora ter o meu irmão,eu ficara com meu padrasto, que desligara o chuveiro e eu tomara banho de água fria , passando a noite ardendo em febre, lembro dela ter olhado para mim e dito:
Artur, você não viu essa menina com febre?
Isso ficara em minha memória, como uma pérola vindo dela, lembro também de uma outra vez, que a vira com lágrimas, porque eu fora atacada por um cão na rua, e estava com a perna sangrando.
Os dois momentos de carinho que eu guardara de minha mãe.
Mas quando eu começara a crescer e conversar com outras meninas, vez ou outra ouvia também algumas delas reclamando, ou dizendo coisas horríveis, que sofriam dentro de casa.
Eu nunca tivera uma religião específica, mas me apegara muito em Deus,Jesus,Virgem Maria, pois sentira todo amor, que essa fé, emanara em mim.
Rezava para meu anjo da guarda, também cantava Ave Maria, cheia de graça...quando ainda bem criança, fazendo meu irmãozinho dormir no berço.
Eu fora para ele, embora tivéssemos pouco tempo de diferença, uma espécie de babá, dedicada a tal cuidado, o tempo todo.
Por isso,me apegara muito a ele, onde eu ia, gostava de dar banho, botar uma roupa nova e o levara todo arrumadinho comigo, eu nunca pudera por meus vestidos.
Mas, meu irmãozinho estava sempre muito bem arrumadinho com roupas novas.
A adolescência surgira, como doce primavera, trazendo os primeiros sinais de encantamento no coração, os primeiros sinais de mulher, pois até então, eu fora uma menina presa.
Sentira meu coração saltitante como uma borboleta em plena primavera, voando alto, livre e solta dentro de minhas aspirações.
Entendera então, que ninguém jamais conseguira cercear a total liberdade de alguém, mesmo o aprisionado corpo, mantivera o pensamento livre e solto para voar.
Também entendera que o corpo, fora nos doado para abrigar a consciência, mas que esta, a qualquer momento, pode fluir livremente pousando em outras paragens, depois voltar novamente.
Sentira que estivera deixando meus folguedos de criança, e também aos simples encantos inerentes a uma ingênua menina, minha percepção mais aprimorada,ora me tornara feliz,ora me aborrecera com que eu vira ou vivenciara.
Onde uma boneca, numa vitrine, fizera suspirar, os chocolates nos invólucros dourados também, o primeiro toque, era o gustativo, aquele que estava no olhar ,também isso se estendera, para todos os sorvetes do mundo.
Mas, em algumas coisas, eu apenas me aprimorara,eu tinha um cachorrinho, que ganhara de minha vizinha dona Rafaela, o nome dele era Kalu ,já estava comigo há dois anos, e era meu amigo e confidente, ao qual eu contava todos os meus segredos, enquanto ele dormia no meu colo tranquilo.
Eu não sei se ele me ouvira, mas também, fora um trampolim para eu aprender a fazer meditação, mesmo em idade tenra, começara desenvolver essa técnica, pois lera muitos sites á respeito, e vira muitos vídeos também.
Minha aceitação ,dentro de minha casa, continuara do mesmo jeito, mas entrando na adolescência, muitas portas pareciam se abrirem, porém começara me perceber, muito mais atenta aos fatos, e atos ao meu redor.
Também percebera, que adolescer, era quase” que adoecer, porém somente quase.
 Enquanto passara por uma transformação total, onde já não fora mais criança, porém muito menos adulta.
E automaticamente, tal situação implicara em estado conflitante, mediante os fatos.
Aprendera que Deus, sempre estivera de meu lado o tempo todo, mas muitas vezes, fora eu quem me afastara e esquecera.
 Então fora descobrindo meus limites sozinha, e aos poucos e aprendendo ser mais cautelosa na hora dos conflitos, minhas reações seriam  respostas perfeitas, aos ataques de minha mãe e meu padrasto.
Conhecera o Marcos, um menino, que estava na sexta série e em minha classe, vivia mandando bilhetes, para me namorar.
Mas Marcos era muito bagunceiro, e apesar de estarmos entrando na adolescência, ainda éramos duas crianças.
 Mesmo assim, o fato de saber, que ele gostava de mim, me fizera muito bem, pelo menos supostamente alguém vira alguma coisa interessante.
Na hora do recreio ele sempre me dava um bombom, dona Rafaela sempre me dizia, para não aceitar coisas de estranhos, mas ele não era um estranho