Impossível
dizer que não amara minha mãe, lembro-me de uma vez em que ela ficara
preocupada comigo, porque
eu estava com gripe ao voltar da maternidade, quando fora ter o meu irmão,eu
ficara com meu padrasto,
que desligara o chuveiro e eu tomara
banho de água fria , passando a noite ardendo em febre, lembro dela ter olhado
para mim e dito:
Artur,
você não viu essa menina com febre?
Isso
ficara em minha memória, como uma pérola vindo dela, lembro também de uma outra
vez, que a
vira com lágrimas, porque eu fora atacada por um cão na rua, e
estava com a perna sangrando.
Os
dois momentos de carinho que eu guardara de minha mãe.
Mas
quando eu começara a crescer e conversar com outras meninas, vez ou outra ouvia
também algumas delas reclamando, ou dizendo coisas horríveis, que
sofriam dentro de casa.
Eu
nunca tivera uma religião específica, mas me apegara muito em Deus,Jesus,Virgem
Maria, pois sentira todo amor,
que essa fé, emanara
em mim.
Rezava
para meu anjo da guarda, também cantava Ave Maria, cheia de graça...quando
ainda bem criança, fazendo meu irmãozinho dormir no berço.
Eu
fora para ele, embora tivéssemos pouco tempo de diferença, uma espécie de babá, dedicada a tal cuidado, o tempo todo.
Por
isso,me apegara muito a ele, onde eu ia, gostava de dar banho, botar uma roupa
nova e o levara todo arrumadinho comigo, eu nunca pudera por meus vestidos.
Mas,
meu irmãozinho estava sempre muito bem arrumadinho com roupas novas.
A adolescência surgira, como
doce primavera, trazendo os primeiros sinais de
encantamento no coração, os primeiros sinais de mulher, pois até então, eu fora
uma menina presa.
Sentira
meu coração saltitante como uma borboleta em plena primavera, voando alto,
livre e solta dentro de minhas aspirações.
Entendera
então, que ninguém jamais conseguira cercear a total liberdade de alguém, mesmo
o aprisionado corpo, mantivera o pensamento livre e solto para voar.
Também
entendera que o corpo, fora nos doado para abrigar a consciência, mas que esta,
a qualquer momento, pode fluir livremente pousando em outras paragens, depois
voltar novamente.
Sentira
que estivera deixando meus folguedos
de criança, e também
aos simples encantos inerentes a uma ingênua menina, minha percepção mais aprimorada,ora me tornara
feliz,ora me aborrecera com que eu vira ou vivenciara.
Onde
uma boneca, numa vitrine, fizera suspirar, os chocolates nos invólucros
dourados também, o primeiro toque, era o gustativo, aquele que estava no olhar
,também isso se estendera, para todos os sorvetes do mundo.
Mas,
em algumas coisas, eu apenas me aprimorara,eu tinha um cachorrinho, que ganhara
de minha vizinha dona Rafaela, o nome dele era Kalu ,já estava comigo há dois anos, e
era meu amigo e confidente, ao qual eu contava todos os meus segredos, enquanto
ele dormia no meu colo tranquilo.
Eu
não sei se ele me ouvira, mas também, fora um trampolim para eu aprender a
fazer meditação, mesmo em idade tenra, começara desenvolver essa técnica, pois
lera muitos sites á respeito, e vira muitos vídeos também.
Minha
aceitação ,dentro de minha casa, continuara
do mesmo jeito, mas entrando na
adolescência, muitas portas pareciam se abrirem, porém começara me perceber,
muito mais atenta aos fatos, e atos ao meu redor.
Também
percebera, que adolescer, era “quase” que
adoecer, porém somente quase.
Enquanto passara
por uma transformação total, onde
já não fora
mais criança, porém muito menos adulta.
E
automaticamente, tal
situação implicara em estado
conflitante, mediante os fatos.
Aprendera
que Deus, sempre estivera de meu lado o tempo todo, mas muitas vezes, fora eu
quem me afastara e esquecera.
Então fora
descobrindo meus limites sozinha, e aos poucos e aprendendo ser mais cautelosa
na hora dos conflitos, minhas reações seriam
respostas perfeitas, aos ataques de minha mãe e meu padrasto.
Conhecera
o Marcos, um menino, que estava na sexta série e em minha classe, vivia mandando
bilhetes, para me namorar.
Mas
Marcos era muito bagunceiro, e apesar de estarmos entrando na adolescência,
ainda éramos duas crianças.
Mesmo assim, o fato de saber, que ele gostava de mim, me fizera muito bem, pelo menos supostamente alguém vira alguma coisa interessante.
Mesmo assim, o fato de saber, que ele gostava de mim, me fizera muito bem, pelo menos supostamente alguém vira alguma coisa interessante.
Na
hora do recreio ele sempre me dava um bombom, dona Rafaela sempre me dizia,
para não aceitar coisas de estranhos, mas ele não era um estranho