O tempo foi desenrolando e a vida
resolveu contar sua história,e num belo dia,Rute me disse estar namorando
Antônio,que se mudara do Rio para São Paulo.
Sua filha já estava com quase dez anos e
morava com ele,por decisões de comum acordo entre ele e a esposa.
Ficamos um pouco apreensivos mas,enfim, o
Sharid também era cinco
anos mais velho que eu, e tudo
entre nós era perfeito.
Talvez
minha filha houvesse puxado a mim, amadurecera antes do tempo, e jamais combinaria com um rapaz de sua idade...
Os quatro anos de faculdade foram com muita dedicação, e ela já,durante esse tempo, escrevera vários livros sobre pedagogia do
ensino,que editados foram de boa vendagem.
Ela tornara
autossuficiente com as escritas,Sharid também
havia ascendido no escritório e tudo era perfeito.
Nossa filha resolvera conhecer a mãe de Antônio, depois de bom tempo de namoro,e disse ter
gostado muito,e que ela era bem idosa,pois se casara com mais de 40 anos com um
senhorzinho idoso,que já havia falecido.
Ela lhe disse ter sido mãe muito
jovem,mas que nunca teve condições de criar o filho,doando a uma família
estrangeira.
Isso me fez lembrar como devem sofrer as mães, que
ás vezes doam seus filhos,
porque não têm condições de criarem
.
Depois de algumas semanas, fomos visitá-la,ela nos pareceu muito
agradável,e se mostrando bastante emocionada nos abraçou longamente sem dizer
palavra alguma.
Sua casa era simples, porém muito
acolhedora e cheia de livros na estante, isso explicava a afinidade entre Rute
e Antônio.
Antônio se afinara bem com Sharid, os
dois conversavam bastante e sobre os mais variados assuntos.
Tornaram-se amigos.
Antônio freqüentava nossa casa,era muito educado, quanto querido professor na faculdade
Nossa
filha parecia adorá-lo,eles viviam
sempre juntos questionando livros,
fazendo correções, eles se acertavam
perfeitamente em tudo.
Um dia Sharid me dissera, que sonhara com um irmão brasileiro, e também tivera curiosidade, em saber quem era sua mãe de sangue.
Estranhei o fato, pois quando o conheci
me disse nunca querer saber quem era sua mãe
brasileira.
Mas entendendo seu desejo, mesmo sendo um
longo trabalho desvendarmos essa história, assim mesmo me dispus a ajudá-lo, se isso lhe fosse muito importante.
Depois ele balançou a cabeça e me abraçou
dizendo, que ele tivera seus pais queridos e que
agora sua família seríamos eu e Rute e quem futuramente se agregasse a nós depois.
Naquela tarde saímos para jantarmos num
pequeno restaurante junto de Rute e Antônio,estava muito quente e depois do
jantar tomamos um sorvete maravilhoso de chocolate.
Nesses momentos eu parava tudo, para
avaliar, e agradecer a vida,pois todas essas
coisas são pequenos segmentos da felicidade.
Eu
estava ainda com o gosto delicioso
de sorvete de nata de quando nos
conhecemos, na boca,minha
filha e futuro genro do lado e meu amor moreno logo em minha frente...
O
que poderia pedir mais a Deus?
Voltamos para casa Rute e Antônio foram
para faculdade participar dos preparativos para a formatura.
Enfim,era o que ela havia escolhido desde
muito criança,e finalmente,um sonho prestes a realizar-se..