Desde
minha infância, sentira nas pessoas de minha família, minha mãe Lídia, e meu
padrasto, mantendo uma certa distância de mim, sempre me dizendo coisas, ficando bravos, e perdendo
a paciência.
Minha mãe sempre me dissera, que eu,Augusta, viera ao mundo para atrapalhar sua
vida, não era hora, e nem tempo para eu chegar,talvez.
Isso
eu ouvira, desde criança até a minha adolescência, e fora me dando nítida
consciência, de que realmente eu atrapalhara todo mundo, e não tinha capacidade
para nada.
Lembro,quando bem criança,eu chorava muito, era muito assustada, e apanhava muito também.
A
comida que eu mais gostava, tais como
doces, carnes e algumas frutas, eram reguladas, sempre me diziam, que
era arroz e feijão, que me fariam crescer.
Eu
também não podia colocar uma roupa nova,
depois do banho á tarde, para
ficar com minhas amigas, era proibido.
Então,
eu acabara crescendo, perdendo roupas, que nunca usara.
Quando
entrei na escola, ficara completamente invisível dentro de minha casa, pois
tinha um irmão de um ano, Rodrigo, eu tinha seis quando ele nascera, era filho de
minha mãe com meu padrasto, ele era tratado com muito carinho pelos dois.
E por mim também...
E por mim também...
Eu
ajudava minha mãe nos serviços de casa, meu padrasto trabalhava numa oficina
de automóveis e não ganhava muito, portanto a nossa vida era intensamente
regrada.
A
partir do nascimento de meu irmãozinho, parece que tudo ficara muito mais alegre para mim, pois eu gostava de cuidar dele , e carregá-lo no
colo o tempo todo, também fazê-lo dormir.
Ele me dera motivos de alegrias e felicidades.
Ele me dera motivos de alegrias e felicidades.
Eu gostava muito de cantar, então ninava meu irmãozinho no berço e
cantarolava todo meu repertório, mas havia
uma que ele gostava muito, e eu também, ele era um menino lindo.
Era assim:
Dorme criança, um anjo dizendo
amém!
Dorme criança,
que é tarde e o sono vem.
Quando chega noitinha, o céu
escurece.
Quando chega noitinha, rezando
canto uma prece.
Rapidamente, meu irmãozinho adormecia,
e eu ia tomar banho, e fazer minha lição de casa.
Gostava da escola, da professora tão carinhosa e de todas as crianças daquela sala.
Eu sempre desviara os aborrecimentos, para um mundo extremamente gratificante,o de poder observar as flores, os bichinhos do jardim.
Lembro-me de uns besourinhos,que frequentavam os pés de espirradeiras, que pareciam feitos de cores brilhantes como estrelas, eram lindos demais,pareciam broches.
Gostava da escola, da professora tão carinhosa e de todas as crianças daquela sala.
Eu sempre desviara os aborrecimentos, para um mundo extremamente gratificante,o de poder observar as flores, os bichinhos do jardim.
Lembro-me de uns besourinhos,que frequentavam os pés de espirradeiras, que pareciam feitos de cores brilhantes como estrelas, eram lindos demais,pareciam broches.
O tempo passara, meu irmão fora
crescendo, e eu também, minha mãe porém, cada vez mais nervosa e sem paciência
comigo,e para meu irmão, toda atenção do mundo.
Mesmo assim,eu amava muito meu
irmão ele viera trazer mais vida á nossa família, suas primeiras palavras eram
encantadoras para mim e com elas eu me divertia muito.
Não que eu quisesse toda a atenção
do mundo, mas eu queria ser aceita dentro de minha casa, porque não tinha outro
lugar para ir.
Eu gostava de meu irmãozinho, ele
era um menino alegre e gostava de brincar comigo,mas ás vezes, ele fazia alguma
coisa errada e botava a culpa em mim, e minha mãe me aplicava castigos.
Eu passara o resto do dia triste e
indignada por ter apanhado sem merecer, era muito triste ser injustiçada,e viver de tal maneira.
Lembro que, desde o pré escolar, nunca
minha mãe fizera um lanche para eu levar, nunca olhara meus cadernos, nunca
quisera saber quando era reunião de pais.
Eu sempre brincara sozinha em casa
depois dos afazeres, criava minhas histórias e dava vida ás minhas personagens.
Quando minha mãe ouvia eu falando
sozinha, dizia que eu tinha algum problema mental.
Porém,eu nunca achara isso de mim...
Eu vivia compondo minhas histórias,
adorava dar nomes bonitos ás minhas personagens ,e também ganhara uma boneca que
se chamara Henriqueta, mas essa já viera com nome, porque fora uma amiga de
minha mãe, que me dera.
A filha dela houvera ganhado uma
outra, e não quisera mais a Henriqueta.
Eu sempre tecia vestidinhos para
ela, cheios de lacinhos.