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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO

Desde minha infância, sentira nas pessoas de minha família, minha mãe Lídia, e meu padrasto, mantendo uma certa distância de mim, sempre me dizendo coisas, ficando bravos, e perdendo a paciência.
Minha mãe sempre me dissera, que eu,Augusta, viera ao mundo para atrapalhar sua vida, não era hora, e nem tempo para eu chegar,talvez.
Isso eu ouvira, desde criança até a minha adolescência, e fora me dando nítida consciência, de que realmente eu atrapalhara todo mundo, e não tinha capacidade para nada.
Lembro,quando bem criança,eu chorava muito, era muito assustada, e apanhava muito também.
A comida que eu mais gostava, tais  como doces, carnes e algumas frutas, eram reguladas, sempre me diziam, que era arroz e feijão, que me fariam crescer.
Eu também não podia colocar uma roupa nova,  depois do banho á tarde,  para ficar com minhas amigas, era proibido.
Então, eu acabara crescendo, perdendo roupas, que nunca usara.
Quando entrei na escola, ficara completamente invisível dentro de minha casa, pois tinha um irmão de um ano, Rodrigo, eu tinha seis quando ele nascera, era filho de minha mãe com meu padrasto, ele era tratado com muito carinho pelos dois.
E por mim também...
Eu ajudava minha mãe nos serviços de casa, meu padrasto trabalhava numa oficina de automóveis e não ganhava muito, portanto a nossa vida era intensamente regrada.
A partir do nascimento de meu irmãozinho, parece que tudo ficara muito mais alegre para mim, pois eu gostava de cuidar dele , e carregá-lo no colo o tempo todo, também fazê-lo dormir.
Ele me dera motivos de alegrias e felicidades.
Eu gostava muito de cantar, então ninava meu irmãozinho no berço e cantarolava todo meu repertório, mas  havia uma que ele gostava muito, e eu também, ele era um menino lindo.
Era assim:
Dorme criança, um anjo dizendo amém!
Dorme criança, que  é tarde e o sono vem.
Quando chega noitinha, o céu escurece.
Quando chega noitinha, rezando canto uma prece.
Rapidamente, meu irmãozinho adormecia, e eu ia tomar banho, e fazer minha lição de casa.
Gostava da escola, da professora tão carinhosa e de todas as crianças daquela sala.
Eu sempre desviara os aborrecimentos, para um mundo extremamente gratificante,o de poder observar as flores, os bichinhos do jardim.
 Lembro-me de uns besourinhos,que frequentavam os pés de espirradeiras, que pareciam feitos de cores brilhantes como estrelas, eram lindos demais,pareciam broches.
O tempo passara, meu irmão fora crescendo, e eu também, minha mãe porém, cada vez mais nervosa e sem paciência comigo,e para meu irmão, toda atenção do mundo.
Mesmo assim,eu amava muito meu irmão ele viera trazer mais vida á nossa família, suas primeiras palavras eram encantadoras para mim e com elas eu me divertia muito.
Não que eu quisesse toda a atenção do mundo, mas eu queria ser aceita dentro de minha casa, porque não tinha outro lugar para ir.
Eu gostava de meu irmãozinho, ele era um menino alegre e gostava de brincar comigo,mas ás vezes, ele fazia alguma coisa errada e botava a culpa em mim, e minha mãe me aplicava castigos.
Eu passara o resto do dia triste e indignada por ter apanhado sem merecer, era muito triste ser injustiçada,e viver de tal maneira.
Lembro que, desde o pré escolar, nunca minha mãe fizera um lanche para eu levar, nunca olhara meus cadernos, nunca quisera saber quando era reunião de pais.
Eu sempre brincara sozinha em casa depois dos afazeres, criava minhas histórias e dava vida ás minhas personagens.
Quando minha mãe ouvia eu falando sozinha, dizia que eu tinha algum problema mental.
Porém,eu nunca achara isso de mim...
Eu vivia compondo minhas histórias, adorava dar nomes bonitos ás minhas personagens ,e também ganhara uma boneca que se chamara Henriqueta, mas essa já viera com nome, porque fora uma amiga de minha mãe, que me dera.
A filha dela houvera ganhado uma outra, e não quisera mais a Henriqueta.
Eu sempre tecia vestidinhos para ela, cheios de lacinhos.