Que fostes tu muito mais, do que uma
lembrança, que acenara num corredor ,cerrando suas cortinas.
Eu bem sei o quanto teu coração desejaria
estar presente em todas as circunstâncias em que sozinha deitara ao lado da
solidão, conversando com o deserto árido das incompreensões, que
aproveitando da consternação alheia
ainda deitam pedras, para que meus pés abdiquem da caminhada tão abstrusa a que
me encontro.
E quem estende a mão, mais convoca do que
oferece, uma convocação dolorida, estranha a que cedo ferindo meus melindres,
causando um desgosto profundo.
Porém, onde estiveres tu,mesmo jamais
entendendo o que te levara ao desconhecido, mesmo assim assevero,me fizestes
muito mais bem do que mal.
Apenas, fora sentindo toda saudade do
mundo, todo descaso, bem casado com as intenções grosseiras as quais o mundo anda repleto e
transbordante, tua delicadeza humana e quase divina, grita dentro de meu
silêncio, qualquer coisa como única.
Saibas que foras tudo quanto te relatei
nas fileiras dos anos e muito mais, jamais houvera decepções, mesmo diante da
mais estranha atitude, ainda passo a entender, pois devem ter existido razões
maiores.
Prefiro a solidão sempre, para poder
chorar tua falta, sem sequer estancar as lágrimas mal resolvidas, pois que
estas se junte ao mar de emoções que me envolvem neste instante só teu.
Onde tuas palavras ainda estão vivas em
meu ouvidos e teu olhar passeia dando lustros em meu caminho.
Quisera eu,viver novamente para poder te
encontrar, para poder repetir tudo de novo, para poder brigar pelo teu amor,
como eu o fizera.
E te asseguro, que por mais que eu tenha
sofrido, mesmo assim valeu.
Valeram os finais de semana em que
sozinha me resguardara da solidão eterna, sabendo que virias quando pudesse.
Sentira uma rotina recorrente e doce,
quando via tua imagem gigantesca em passos vagarosos e pacientes te
aproximando.
O
amor vai compondo suas histórias nos brancos momentos e nos estreitos
aborrecimentos.
E todas as vezes em que eu me sinto
desvalidada, desobedecida, abatida novamente, teu sorriso menino ainda me
articula muita coisa, que me suaviza.
Tão suavemente sinto que a vida,
simplesmente é uma questão de tempo, e este voeja nos sonhos, nos ventos
outonais, nas festas natalinas que te esconderam literalmente de mim.
Meu amor, quanta compreensão largastes
espalhada por todos os cantos de meu recinto, que depois de ti tenho procurado,
tenho até transgredido aquilo que chamo de mácula, mas nunca mais as encontrei.
Ás vezes, nossos diálogos continuam
através do meu pensamento em torno da mesa simples, do café quase por vencer.
Talvez aquele interfone morra também para
mim,porque sentira um ciclo necessário precisando fechar, queria adormecer do
teu lado tranquilamente vendo os ciprestes balançarem nas tardes de ventanias.
Mas a vida e sua insignificância, separa
corpos porque desconhece que almas afins são inseparáveis.