Marcadores

segunda-feira, 29 de julho de 2013

FRAGMENTO DO LIVRO_INVALIDADORES

Quando sozinha em minha janela, pudera contemplar, um lindo mistério se abrindo para minha adolescência,eu ficara imaginando Amauri, o amor impossível, que sem condições de acontecer, fora para outro lugar, outra cidade.
Também sonhara com muitas coisas fantasiosas, que nem sequer imaginaria acontecer, mas o sonho precisava dar ênfase á minha vida, mesmo que fosse, apenas sonho.
A televisão exibira as garotas de nosso bairro, tão lindas, fotogênicas dançando uma dança folclórica.
Eu olhara para aquelas meninas lindas, vestidas de princesas e quando tentava tatear o sonho, não o encontrava mais.
Os carros alegóricos ostentando a beleza da juventude, que obviamente se preparava para uma feliz posteridade, enquanto o sol entardecia silencioso em minha rua tão mixa e vazia.
Minha imaginação corria por um trilho, que unia cidades longínquas, depois perpassava no meio da multidão buscando um rosto jamais visto, porém tão conhecido.
Depois me recolhia em meu quarto,e acordava no outro dia, sentindo que uma ficção qualquer, havia pernoitado em minha cabeceira.
E as luzes do sol acendiam uma vida mais lógica, onde uma rua inteira letargicamente se punha a movimentar.
Era a luz fosca da padaria ainda acesa, uma lâmpada mercúrio que nunca apagara, ou meu coração, que invariavelmente se punha a esmiuçar detalhes ou resquícios da madrugada.
No percurso ao trabalho, ouvia as histórias de minha vizinha, também esquivara dos cachorros raivosos, atravessando a rua depressa, enquanto o sol, garboso e imponente se punha jogando seus raios na eira.
Era um sinal de novo dia!
Literalmente adorava o cheiro de café com eleite,espalhado pelas esquinas, também o adocicado perfume das docerias,onde as bombas recheadas de chocolate, estavam a espera de alguém faminto e voraz.
Um pingado por favor!
E eu rapidamente me apressava a servir o cliente.
Depois um sanduíche de pão com mozzarella, depois dois filões, e o dia tinha começado para mim também.
Era uma fila interminável que durava o dia inteiro desde o amanhecer até as dezoito horas, quando eu saia de lá.
Os pães saiam quentinhos toda hora e um funcionário colocava um cesto cheio deles, de vez em quando para serem servidos.
Era uma fábrica manual que também começara na madrugada e terminara na noite.
As novelas editadas e as personagens quase sempre eram as mesmas, mas eu,mesmo tão ocupada, achava algumas histórias bem interessantes a ponto de grafá-las, em minha casa, quando tinha tempo.
Aquela padaria era  tipo serve de tudo, na hora do almoço, muitas pessoas faziam ali suas refeições, outras jamais abriam mão do pão torrado na chapa com manteiga, e tínhamos um garoto ,que era especialista no assunto.
E uma fila imensa também se formava em frente a chapa quente, enquanto ele rapidamente tentava dar conta de tudo.
O nosso almoço era um tipo de refeição meio rápida, onde apenas tínhamos tempo para deglutir um lanche escovar os dentes e correr para abrandar as filas.
O dia passava rapidamente voando e nem percebíamos, quando eram dezoito horas, uma sensação de dever cumprido me envolvera sempre.
Então eu tinha uma noite para apreciar e depois dormir.