Era minha difícil infância tentando me
animar, pois soubera que minha criança fora uma guerreira no passado e
suportara tudo, fora essa minha herança, ser forte e jamais fraquejar.
Os dias começaram a transcorrerem
indiferentes, quando nem chorar a falta de Leo em minha vida eu conseguira,
quão magoada e injustiçada também por ele me sentira.
Custava pelo menos se certificar dos
fatos comigo?
Mas a vida, por outro lado, costuma
escrever estranheza, para que interpretemos da melhor maneira, sem tanto
sofrimento.
Naquele dia fora trabalhar transtornada,
não conseguira me concentrar direito no trabalho, tremia muito e sentia vontade
de chorar,porém,não tinha com quem me desabafar.
Mil coisas passavam pela minha cabeça,
revestidas de uma revolta incontrolável,eu já nem soubera direito, quem eu fora,
pois houvera, ao longo dos dias de sofrimento houvera perdido minha identidade.
Chegara a hora do almoço e o celular do
Leo, continuara desligado,eu estava a ponto de enlouquecer porque se o
perdesse, perderia com certeza a única pessoa que me amava no mundo, e parece
que era isso mesmo que meu padrasto queria.
Eu pensei comigo em arranjar um lugar
para eu morar, mas o que ganhava não daria nem para o aluguel, dera uma
revirada na internet para ver repúblicas de estudantes e eu vira uma delas que
me interessava, eram quatro meninas em cada quarto e pagavam metade do que eu
ganhava no trabalho, portanto eu fora acostumada, a viver com quase nada,
quando meu dinheiro era todo para ajudar minha família.
Aproveitando a hora do almoço então,
liguei para lá e tinha uma vaga, a qual reservaram para mim,eu precisava só
pegar minhas coisas e me dirigir para lá, assinar um contrato e começar a morar.
Fora aparentemente, tudo resolvido mas
mesmo assim,eu não saberia recomeçar minha vida, ausentada da companhia da
única pessoa da qual eu tivera certeza no momento, que me amara.
Ansiosa, quanto mais eu ligara para ele,
mais eu queria ligar, porém parecera, que ele sumira de meu mundo.
A solidão daquela noite fora cortante,
olhava para as estrelas de minha janela e nada sentira a não ser revolta e uma
dor muito forte estourando meu peito.
As lágrimas pareciam me aliviar um pouco
quando tudo ficara preso na garganta, um grito louco e desesperador, querendo
tomar grandes proporções dentro de minhas cercanias, porém de nada iria
adiantar,eu jamais seria ouvida.
Quanto mais eu tentara falar com ele sem
sucesso, pior eu ficara.
Ele me dera o pior dos tratamentos que é
o tratamento de silêncio atrelado a indiferença, então eu vira meu amor se
transformando em mágoa, quando Leo tivera de mim o melhor, mesmo que o meu
melhor não fosse tão encantador assim, mas era tudo que eu possuíra.
A minha vida, nesse momento se tornara um
deserto de vozes, de sorrisos e também de amores.
Nem as belezas naturais que as vezes me
faziam parar para contemplar, estavam passando despercebidas mediante minhas
janelas turvas e embaçadas pela solidão castradora.
Aquela noite eu dormira apreensiva,
apenas tentando ser eu mesma e viver minha vida simples e tranquila sem
machucar ninguém e livre de todos os ferimentos causados até então.
Contudo isso para mim,era um caminho sem
volta,eu poderia até me refazer aos poucos, mas naquele momento, sobreviver se
tornara um grande desafio, sendo quase impossível para qualquer garota nas
minhas condições ,financeiras e psicológicas.Rafaela sempre me viera ao pensamento .
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha