Desde
muito cedo eu tivera a necessidade de encontrar num namorado, o apoio que
talvez tanto me faltara, e minha família fora dona Rafaela, que partira tão
cedo me deixando órfã, mesmo tendo uma família.
Meu
coração sempre soubera perdoar, porém meu padrasto arrasara minha vida, era
impossível perdoá-lo, quando na verdade, ele tentara roubar a minha alma, pelas
consequências, que esse absurdo, pudera até causar em mim.
Tudo
fora premeditado, pois ele levara consigo minha alegria, minha vontade de
viver.
Voltando
do trabalho numa tarde o vento roçando meu rosto, sentira uma presença
agradável cerceando meu corpo, uma certa esperança parecera desabrochando, e no
céu uma lua parecendo uma unha cortada envolta de uma cor ocre, trouxera ao meu
encontro a felicidade que por tantos dias, depois do ocorrido fato, ficara
camuflada.
Eu
soubera que sarcasticamente ele se nutrira de meu desgosto, de minha tristeza,
de meu sofrimento, entrara em casa, tomara um banho rápido e fora á escola.
Naquela
noite, Leo fora me buscar, estava romântico e me disse, que já podíamos
estreitar nossa relação, pois éramos responsáveis o suficiente...
Embora
eu amasse muito meu namorado, esse assunto caiara justamente numa época, em que
eu estivera dilacerada pelo ocorrido, porém eu não tinha coragem de dizer a
ele.
Não saberia ,qual seria sua reação, também
tinha muita pena de Leo, que tantas vezes conversamos sobre esse assunto, ele
soubera, que eu jamais havia estado com alguém, e planejáramos muita coisa
bonita, para o tão esperado dia.
Eu
quisera argumentar, mas as palavras ficaram presas na garganta e grossas
lágrimas me traíram, e eu querendo me conter, mas estas banharam-me o rosto,
copiosamente.
Ele
me abraçara com carinho.
_O
que foi meu amor?
-Eu
te magoei com isso?
Eu
balançara a cabeça e nenhuma palavra conseguira articular, enquanto ele me
alisava os cabelos dizendo:
_Calma,
outro dia conversaremos sobre o assunto!
E
tirando uma barra do meu chocolate preferido, colocar em minha mão, segurando
bem apertada entre as suas.
Eu o
abracei forte e demoradamente, depois entrei correndo em casa.
Mais
uma vez eu protelara algo que me pesara demais o tempo todo.
O
tempo fora passando, e eu me apegara bastante em Leo, mais do que o costume,
passara a ficar insegura e ter medo de perdê-lo, pois passara mediante a
aflição vivida constantemente, fazer de nosso namoro o meu mundo a minha vida.
Eu
pressentira tudo que acontecia em minha casa, pressentira muita coisa na
indiferença de minha mãe, e também de suas amigas, meu irmão se tornara
bastante arrogante em relação a mim, enquanto minha mãe e meu padrasto tentavam
sempre colocá-lo num pedestal, se projetando os dois nele, tanto que ás vezes
ele se irritava, eu percebera, que ele se sentia até sufocado com isso.
Eu
daria tudo para poder sair de minha casa, mas enquanto estivesse naquela loja,
o que eu ganhava não daria para me sustentar sozinha,eu dera todo mês, quase
todo pagamento para ajudar nas despesas de minha casa, e muitas vezes,me eram
negadas algumas comidas que eu gostava, ou coisa assim.
Porém,
mesmo assim tudo suportaria, menos conviver com um abusador feito meu padrasto,
que continuava a me abusar, mesmo sem me tocar mais, apenas com aquele olhar
demoníaco que ele me lançava.
Eu
nunca tivera certeza, porém pressentia que minha mãe soubera, a partir daí eu passara a sentir por parte dela, todo desprezo do mundo.
Leo
estava indo bem no curso de engenharia, o ano estava quase terminando, e eu
fora prestar Educação Física e passara no vestibular, agora era só tirar boas
notas no final do ano e fazer a minha matrícula na faculdade, que era simples e
a mensalidade era bem accessível,portanto,mesmo ajudando em casa, daria para eu
pagar, abrindo mão de sorvetes e algumas roupas que eu gostava de comprar.
Naquele
final de ano, Léo me convidara para viajarmos,eu iria ter quinze dias de
férias, porém, minhas condições financeiras, mesmo recebendo décimo terceiro,
iriam ficar bem ajustadas.
Ele me dissera, que eu não precisara me
preocupar, mesmo assim,eu me espremera, para não depender totalmente dele, o
que eu não achava justo.
Ele
comprou passagens para a praia de Boa Viagem no Recife, na última semana, nos
preparamos para a viagem, fizéramos nossas malas, e combinamos levar o mínimo
possível, para nos organizarmos melhor, o intento fora, aproveitarmos o máximo
para que tudo corresse bem e que passeando também pudéssemos descansar e termos
boa disposição, para o próximo ano.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha