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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO

Desde muito cedo eu tivera a necessidade de encontrar num namorado, o apoio que talvez tanto me faltara, e minha família fora dona Rafaela, que partira tão cedo me deixando órfã, mesmo tendo uma família.
Meu coração sempre soubera perdoar, porém meu padrasto arrasara minha vida, era impossível perdoá-lo, quando na verdade, ele tentara roubar a minha alma, pelas consequências, que esse absurdo, pudera até causar em mim.
Tudo fora premeditado, pois ele levara consigo minha alegria, minha vontade de viver.
Voltando do trabalho numa tarde o vento roçando meu rosto, sentira uma presença agradável cerceando meu corpo, uma certa esperança parecera desabrochando, e no céu uma lua parecendo uma unha cortada envolta de uma cor ocre, trouxera ao meu encontro a felicidade que por tantos dias, depois do ocorrido fato, ficara camuflada.
Eu soubera que sarcasticamente ele se nutrira de meu desgosto, de minha tristeza, de meu sofrimento, entrara em casa, tomara um banho rápido e fora á escola.
Naquela noite, Leo fora me buscar, estava romântico e me disse, que já podíamos estreitar nossa relação, pois éramos responsáveis o suficiente...
Embora eu amasse muito meu namorado, esse assunto caiara justamente numa época, em que eu estivera dilacerada pelo ocorrido, porém eu não tinha coragem de dizer a ele.
Não saberia ,qual seria sua reação, também tinha muita pena de Leo, que tantas vezes conversamos sobre esse assunto, ele soubera, que eu jamais havia estado com alguém, e planejáramos muita coisa bonita, para o tão esperado dia.
Eu quisera argumentar, mas as palavras ficaram presas na garganta e grossas lágrimas me traíram, e eu querendo me conter, mas estas banharam-me o rosto, copiosamente.
Ele me abraçara com carinho.
_O que foi meu amor?
-Eu te magoei com isso?
Eu balançara a cabeça e nenhuma palavra conseguira articular, enquanto ele me alisava os cabelos dizendo:
_Calma, outro dia conversaremos sobre o assunto!
E tirando uma barra do meu chocolate preferido, colocar em minha mão, segurando bem apertada entre as suas.
Eu o abracei forte e demoradamente, depois entrei correndo em casa.
Mais uma vez eu protelara algo que me pesara demais o tempo todo.
O tempo fora passando, e eu me apegara bastante em Leo, mais do que o costume, passara a ficar insegura e ter medo de perdê-lo, pois passara mediante a aflição vivida constantemente, fazer de nosso namoro o meu mundo a minha vida.
Eu pressentira tudo que acontecia em minha casa, pressentira muita coisa na indiferença de minha mãe, e também de suas amigas, meu irmão se tornara bastante arrogante em relação a mim, enquanto minha mãe e meu padrasto tentavam sempre colocá-lo num pedestal, se projetando os dois nele, tanto que ás vezes ele se irritava, eu percebera, que ele se sentia até sufocado com isso.
Eu daria tudo para poder sair de minha casa, mas enquanto estivesse naquela loja, o que eu ganhava não daria para me sustentar sozinha,eu dera todo mês, quase todo pagamento para ajudar nas despesas de minha casa, e muitas vezes,me eram negadas algumas comidas que eu gostava, ou coisa assim.
Porém, mesmo assim tudo suportaria, menos conviver com um abusador feito meu padrasto, que continuava a me abusar, mesmo sem me tocar mais, apenas com aquele olhar demoníaco que ele me lançava.
Eu nunca tivera certeza, porém pressentia que minha mãe soubera, a partir daí eu passara a sentir por parte dela, todo desprezo do mundo.
Leo estava indo bem no curso de engenharia, o ano estava quase terminando, e eu fora prestar Educação Física e passara no vestibular, agora era só tirar boas notas no final do ano e fazer a minha matrícula na faculdade, que era simples e a mensalidade era bem accessível,portanto,mesmo ajudando em casa, daria para eu pagar, abrindo mão de sorvetes e algumas roupas que eu gostava de comprar.
Naquele final de ano, Léo me convidara para viajarmos,eu iria ter quinze dias de férias, porém, minhas condições financeiras, mesmo recebendo décimo terceiro, iriam ficar bem ajustadas.
 Ele me dissera, que eu não precisara me preocupar, mesmo assim,eu me espremera, para não depender totalmente dele, o que eu não achava justo.
Ele comprou passagens para a praia de Boa Viagem no Recife, na última semana, nos preparamos para a viagem, fizéramos nossas malas, e combinamos levar o mínimo possível, para nos organizarmos melhor, o intento fora, aproveitarmos o máximo para que tudo corresse bem e que passeando também pudéssemos descansar e termos boa disposição, para o próximo ano.

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Izildinha