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domingo, 16 de dezembro de 2012

FRAGMENTO_O SOL DO ENTARDECER


Estávamos os quatro em meu apartamento esperando nossos filhos,tristes,humilhados,sem sabermos o que falarmos um para o outro.
E o pior, sem sabermos por onde começarmos. 
Mandei a empregada preparar um almoço, e conversaríamos durante...
Enzo e Lívia chegaram só na hora do almoço, meios sem jeito, tristes e abatidos também.
Sentamos para almoçar, mas nesse momento, olhava para meu filho e sentia um nó na garganta, a comida não tinha gosto de nada, eu estava totalmente desolada diante do que tínhamos para revelarmos para nossos filhos.
Então começamos a desenrolar os fatos, e contarmos a história tintim por tintim...
Vi os dois ficarem perplexos e se olharem mutuamente, a cada revelação bombástica, terminando contudo, com a possibilidade mais grotesca do mundo para eles.
A  Lívia concordou em fazer os exames de DNA. 
Senti-os perdidos, olhando um para o outro, depois se abraçaram  e a Lívia desandou a chorar copiosamente.
Sem palavras ficamos todos nós, sem palavras ficaram suas vidas, seus destinos.
Enzo tomou a palavra e nos disse:
Muito bem,essa possibilidade nos ameaça, nos corrói de maneira cruel e avassaladora, no caso de sermos irmãos, quem vai nos ensinar a esquecermos um do outro?
A regredirmos de onde  paramos?
Estava desolado.
Eu precisara ser forte nesse momento.
E continuou...
Talvez para vocês seja fácil, pois souberam o tempo todo
jogar aquilo que chamaram de amor pela janela.
Onde o orgulho, a vaidade, a leviandade falaram mais alto.
Saibam! Continuou:
Ainda bem,que temos um caráter alienado ao vosso, pois são pessoas frias, desonestas que vão atropelando o mundo com vossas irresponsabilidades.
E o pior!
Atiraram vossos dardos pela vida afora, e nos acertaram no coração.
Alguém dentre vocês tem uma receita de como se devolve uma vida e recomeça tudo de novo?
Pegou Lívia pela mão e saíram batendo a porta.
 Ficamos os quatro parados e mais perdidos do que já estávamos.
Olhei minha São Paulo querida pela janela do apartamento e o sol do entardecer, nesse momento iluminava a sala, como um fio de voz em minha consciência me dizendo alguma coisa, que eu tanto quisera ouvir a vida toda. Talvez fosse um raio de felicidade ameaçando entrar pela
minha vida, e eu nesse momento prometera a mim mesma que jamais me faria infeliz, se tivesse essa graça, essa bênção.
Doravante eu seria toda perdão e entendimento, mediante os fatos da vida.
As lágrimas me traíram.
Eu mesma me traíra também lá no passado com meu orgulho.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha