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quinta-feira, 27 de maio de 2021

A ANDORINHA_DO LIVRO INTERNALIZANDO

O verão sumira por entre as rajadas de vento, quando as folhas se despediram dos galhos, tristes e pálidas, saindo em direção ao nada, a cidade sentindo o sol ausente, fizera das tardes, um cinza gélido, visitando as esquinas e perpassando pela multidão.
O trânsito, quase continuando o mesmo, escondera os semblantes alegres, ou tristes, depositados em seus recintos.
Ás vezes, me sentira desertada e triste, noutras quando a lembrança me fizera companhia, falando as mesmas coisas e noutras vezes, deixando meu coração mais exposto, repassando dia após dia, toda uma secular existência.
Nenhuma personagem batera em minha porta, buscando uma nova história, e eu ficara num aposento sonífero, repassando minhas páginas e arrancando aquelas, que foram adornadas por espinhos, quando tanto cutucaram o meu coração.
Eu precisara disto, como andorinha fora do bando, pousada num fio, sacudindo sob o bramido do forte vento, que arrostara a solidão dos dias, e das noites, que me alterara num balanço incontido.
Eu relutantemente requisitara!
Simplesmente, dentro de meu coração, ainda mais profundamente a alma, que mergulhara no passado e viera arrastando consigo as mais nobres, e também paupérrimas lembranças, que agora parecera ser um sono profundo, numa noite bem dormida, onde a alma viajara pelas paragens só retornando ao amanhecer.
O vento gélido e aterrorizador, fazia um barulho imenso, nos meus ouvidos de criança, enquanto assustada e fascinada, ficara horas em sobressalto.
Nessa época, eu era uma andorinha no meio do bando, porém reclusa e deslembrada, enquanto isso, fora juntando minhas bagagens tão estrangeiras, para as circunstâncias em que eu vivera, visto que nada me atingira, nem mesmo a abdicação no centro de uma residência.
Pobre residência essa, que trazia as claridades encobertas, e durante o verão, um raio de sol varando por uma fenda, dera a impressão de um raio multicolorido, onde eu ficara um tempão ,pondo minhas mãos tentando tocar o intocável.
O sol antigo, parecera um sol mais ameno, porém os invernos de minha infância eram estupidamente rigorosos.
Invernos cortantes!
Como andorinha, fora me acostumando com as intempéries do tempo, tão desabitada, no meio do multidão.
Quando houvera imigração, jamais eu entendera, porque a temperatura sempre continuara a mesma, então apenas contribuíra para um volume, uma estrangeira dentro, mas longe do ninho.
E o tempo passou, podendo eu voar como andorinha, para onde eu pudesse encontrar algumas temperaturas amenas, que não fossem apenas os rigores da estação, porém, um frio cortante, já houvera sido instalado, dentro de minha desabitada empatia.
Mas, em todas as cálidas manhãs, um raio de sol se incumbira de aquecer o meu coração,restaurar os meus apegos e visitar minhas pretensões.
Era a vida desvendando suas inusitadas circunstancias,desembrulhando novos presentes, para serem vividos e visitados constantemente, pela esperança.
O sonho fora acordado,pois eu imaginara, que este houvera fenecido, e sido largado no caminho,porém, este fora guardado numa gaveta da memória, que o acordara vivo e latente, aptos a novas realizações.



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Izildinha