Nossa casa estivera impregnada pelas mãos de Jorge, em todo lugar houvera suas marcas, seus feitos, suas histórias.
Eu jamais fora dependente, porém tivera em Jorge, o motivo maior de minha felicidade, de minha compreensão de vida, e a partir deste, viera uma avalanche do amor, que desde então me cercearam.
Miranda sempre me consolara, dizendo para eu chorar quando tivesse vontade, e chorar muito, e assim, aos poucos eu fora me aliviando da dor do coração partido, mas a saudade, á medida que o tempo passara, fora aumentando.
Chegara um verão causticante, e eu lembrara, de nossas conversas na sacada depois que ele houvera ajeitado o ateliê.
Miranda e todos os seus empregados, deram continuidade no trabalho deixado por Jorge.
A rua por onde morávamos vivera vazia, para mim doravante, o meu querido artesão fora reciclar, as estrelas no céu, com certeza.
Quando a noite chegara, eu ficara por horas inerte na sacada, e meu pensamento parecera se comunicar com Jorge.
Jamais, um Jorge abatido e depressivo como nos últimos dias, mas sim, um Jorge feliz e sorridente, me esperando em algum lugar.
Eu conseguira sentir, em dados momentos, a sua presença bem perto de mim, presença tal, que me abraçara e consolara.
Quando viera o outono, também sentira sua presença caminhando pelas ruas, quando juntos curtíamos a beleza e o clima de tal estação.
Eu precisara crer e sentir, que Jorge apenas voltara mais cedo para a casa, e que me aguardara, contente e feliz.
Os seus pertences permaneceram intactos, e aquela maravilhosa estátua que nos unira, ficaria para sempre num canto da sala ,marcando a presença, de um amor imbatível.
Soubera eu, que Jorge estivera nos protegendo e conversando muito com dona Ivone, então no meu pensamento, as palavras caiam como folhas levadas pelo vento leve, ou pétalas perfumadas, que deixavam as flores, e viajavam entre as estrelas.
Eu tivera Miranda, que fora o fruto de nosso amor, e esta me fizera companhia, me aliviara e me enchera a vida de significados, com sua ternura, com seu amor vibrante.
Porém, quando sentira a presença de Jorge, de imediato sentira um calor diferente e uma paz absurda, fora sempre a sensação que tal amor me passara.
Eu quisera pedir a Deus, que me deixasse levar por estupenda sensação, porém em meu pensamento viera como resposta, que minha hora ainda não chegara.
O nosso neto com nome de Jorge viera sempre nos visitar, ele e Rebeca filha de Maria, que fizera companhia a Miranda, quase todos os dias.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha