Geraldine sonhara com Manuel,este chegando com uma roupa clara, muito jovial e feliz dizendo a ela que necessitava que ela o perdoasse.
Ela estava sentada embaixo de um pé de ipê amarelo todo florido e olhara ao seu entorno o vento varrendo as flores caídas no chão ,a medida que ia derrubando mais.
E encantada com a cena dissera sem mencionar palavras,mas dissera:
Manuel, sabes que já te perdoei!
Ele afastara dois passos e redarguira, enquanto ainda prevalecera aquele sotaque de martelo amaciando seu coração.
Tens um coração boníssimo, sempre soubera tal feito,mas te sinto ainda magoada e triste.
Foras tu a mulher de minha vida,porém o que dedicara a ti fora tão pouco perto da imensidade de teu amor.
Maria fora quase uma eterna criança ,e eu jamais pudera abandoná-la por causa de meus filhos,sempre soubera que João esperara por ela,eu precisara de uma coragem que não tive para iluminar os fatos.
Agora preciso de teu perdão, pois estou de volta a minha antiga morada,sinto que estivestes aqui comigo em outros tempos, por isso fostes tão silenciosa e resignada.
Nesse momento Geraldine sentira-se tão livre rodopiando como flor amarela ao vento.
Ela acordara e sentira um grande amor envolvendo Carlos que dormira tranquilo ao seu lado.
Pois este fora o motivo, a razão que esperara por ela também, e viera com toda sinceridade do mundo e a ajudara a clarear os fatos.
O dia estava amanhecendo e os passarinhos com seus chilrados anunciavam uma claridade iluminando lá fora.
Carlos acordara e Geraldine havia feito o pão de aveias e posto a mesa para o café da manhã.
Ela não relatara o sonho ,pois Carlos poderia achar tudo uma grande besteira mas ela sentira-se mais feliz.
O perdão a libertara de tudo, que ocultamente ainda se mantivera aprisionado, pensara Geraldine, pois Manuel nunca fora uma pessoa má, vivia bem á sua maneira e cuidara pouco da saúde.
Em outros sonhos pressentira Manuel feliz lhe relatando a beleza e a leveza da essência, quando este se desprendera do peso corpóreo.
Falara da liberdade, da necessidade da verdade em cada existência, porém fora grato a ela eternamente, pois carecera da luz para enxergar o caminho de volta para casa.
Geraldine e Maria voltaram a se entenderem, ambas se perdoaram mutuamente,o que fizera entender que estas eram passíveis de defeitos, da imperfeição e carecidas do perdão e quase sempre.
Elas combinaram que toda semana levariam margaridas na campa onde jazia Manoel, o homem que a seu modo, e á sua passividade,as fizera feliz.
Os netos de Manuel agora poderiam ser abraçados por Geraldine,já estavam um com cinco anos e o outro com três.
E dissera a Maria:
Eu participara de tudo através do relatos de Manuel,porém jamais enviara um presente ou coisa assim,porque jamais quisera atrapalhar vossas vidas.
Maria ficara emocionada e dissera a Geraldine:
Se há alguém que deve ser perdoada nessa história toda, acho que sou eu amiga.
As duas se abraçaram e nesse momento puderam sentir uma paz elucidada entre ambas.
João também gostava muito dos netos de Maria, assim como Carlos.
Ao perderem Manuel as crianças foram amparadas com muito amor por uma avó de coração e mais dois avôs.
Os filhos de Helena também se aproximaram mais de Geraldine e de vez em quando visitavam-na passando suas férias nas cidades do Litoral Norte de São Paulo.
Helena fizera um curso de pintura e viajara o mundo expondo seus trabalhos e focada nestes a vida lhe abonara mais sentido.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha