Voltando á rotina depois da viagem, Helena passara as tardes confinada em seus aposentos, conversando com uma infinidade de amigas virtuais, confidenciando alguns segredos concebidos da vida fictícia criada pela vida cibernética, que dominara Helena de maneira tal, que ela jamais conseguira se desvincular.
A aleivosia fora sua tábua de salvação sempre, embuste no nome da cidade em que morava, embuste do próprio nome , o embuste de sua condição financeira e também o estado civil.
O grupo, que ali se alojara, fora formado de pessoas ,que possuíam as mesmas características, estando completamente e alheios a própria vida, e também á própria família.
Contudo, sempre sobraram algumas redes igualitárias, que confirmaram um lado inexistente, o tal lado que validara todos os embustes.
Uma modernidade líquida perfeita, como prevera Zygmunt Bauman O conceito de modernidade líquida ,fora desenvolvido pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman.
Consideração esta, que diz respeito a uma nova época, quando as relações sociais, econômicas e de produção apresentam-se frágeis, fugazes e flexíveis, como os líquidos.
Houveram oposições na obra de Bauman, coniventes com a modernidade sólida, quando as relações eram solidamente estabelecidas, tendendo a serem mais fortes e duradouras.
Tivéramos certezas das amizades sinceras, dos relacionamentos
verdadeiros, das notícias que nos eram oferecidas.
Joãozinho e Helena eram a materialização da modernidade líquida.
Bauman relatara como modernidade líquida, o período que se iniciara após a Segunda Guerra Mundial, porém ficara mais percebível a partir da década de mil novecentos e sessenta, aproximadamente.
Estudioso sociólogo chamara de modernidade sólida, o período anterior.
A modernidade sólida era distinguida pela rigorismo e solidificação das relações humanas, das relações sociais, da ciência e do pensamento.
A busca pela verdade era um compromisso sério para os pensadores
da modernidade sólida.
Porém na “Modernidade Líquida” obviamente houvera uma parte populacional fabricadas em séries,naufragando seus embustes plagiados enquanto condições financeiras.
Modernidade tal que fizera alguém valer pelo concreto e jamais pelo abstrato,pois o abstrato passara a ser meio retro,pois este falara de sentimentos e sentimentos nunca fizeram parte do mundo encanecido dentro da emergência flácida e volátil.
Novos caminhos,novos rumos,fizeram a maior parte da população criarem seus deuses particulares, tendo a certeza de que estiveram trilhando o caminho da salvação.
Sim,salvação de todos os desejos possíveis,quando desejara um carro importado e do ano, este deus também desejara e lhe cedera.
Quando desejara viajar mundo afora fotografando as estadas mais chiques e opulentas, o deus passara na frente e cedera tais desejos.
Também, quando odiara alguém, que lhe incomodara com uma espécie de lustro estranho, o seu deus também odiara.
E uma multidão pagã explodia a todo vapor, pondo um deus em alta, um deus criado a própria revelia, um deus moderno e contextual, sempre pronto a servir todos os caprichos emergenciais.
A veridicidade ficara meio aquém dos fatos, também ficara determinada, a ser diluída numa condição liquidada, porém esta mesmo incomodando trouxera uma pequena parte populacional, a luz das proeminências e dos fatos.
Joãozinho e Helena passaram a ser o retrato, as imagens frias de uma felicidade inexistente, enquanto foscas luzes iluminavam um planeta quase em explosão, destroçado e destituído da matéria prima,pela estupidez retrógrada do consumismo.
Helena precisara de noventa pares de sapatos para os seus dois pés, Joãozinho necessitara de um terno para cada reunião, tendo cuidado para nunca repercutir o mesmo visual.
Porém, o outro lado populacional do mundo, carregara minimalistamente, sua mudança dentro de uma mochila.
Falar sobre minimalismo para população emergente, seria ser condenado ao esquecimento e separadamente ser condenado ao mundo dos mortais, enquanto a modernidade apenas se preocupara com a eternidade, que o deus da fortuna lhe garantira.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha