Eu começara a perceber que tudo não passara de encenação e apenas eu levara tudo muito a sério, e á medida que o tempo fora passando, começara a entender perfeitamente como funcionara o tal circo em família.
Procurara não dar importância ao fato, mas era estranho como tal tivera a capacidade de me afetar, de mexer com meu brio, pelo menos por alguns momentos, quando a convivência se tornara um fardo pesado para carregar.
Já na escola tivera algumas amigas, com as quais eu me distraíra, passeava pelo bairro aos domingos, mas tudo sob austero controle.
Eu me agarrara aos estudos, porque via nestes, um trampolim para uma vida pelo menos mais tranquila e independente.
Gabriel e Josias cabulavam aulas, e ás vezes meus pais nem ficavam sabendo,eu me sentira no meio de um bombardeio, tendo dois irmãos mentirosos, e meus pais excêntricos demais.
Se estes me inspirassem confiança e discernimentos, poderia eu,para o bem de Josias e Gabriel, ajudá-los a repreendê-los, no entanto soubera que de alguma forma, o efeito colateral de todo erro sobrecairia sobre mim.
Fora uma parte de minha vida extenuada e maquinada a negação, pois acima de qualquer coisa estivera o fato.
Fato este que punha excentricidades em meu comportamento, parecendo sempre, como dissera uma amiga certo dia, um passarinho assustado e medroso.
Quando estava com catorze anos, já na oitava série conhecera Renato, um rapaz encantador que viera do Sul, morar em São Paulo.
Fora numa tardinha já no final do ano:
Esta é exclusivamente para ti!
Olhei surpresa porque ele aparecera do nada.
Como assim?
Perguntara eu
Uma flor para uma flor, eu sempre soubera combinar as parecenças.
Nossa!
Parecenças?
Linda rosa!
Vou procurar esse palavrão no dicionário, rindo muito lhe respondi.
Mas de qualquer forma obrigada!
Jamais me achara parecida com flor.
Mas já que disseras isto prefiro acreditar que me pareça com uma flor de cactos do deserto e bem espinhada.
Sorrira para mim, e bem de perto, então pude ver, o quão lindo ele era.
Meio estilo indígena, cabelos grossos, pele morena, olhos negros amendoados ,uma beleza clássica brasileira e sem igual, mas com sotaque sulista.
Ele tocou meu ombro de levinho e disse:
Renato meu nome.
Prazer respondera!
Manoela
Ele abriu a mochila e me disse:
Ah!
Estava esquecendo.
Já ouvistes falar em fruta do conde?
O nome "fruta-do-conde", comum no Brasil, concluiu,
deve-se ao fato da primeira muda da espécie ter sido trazida, na Bahia, pelo governador Diogo Luís de Oliveira, o Conde de Miranda.
Eu respondi:
Nossa!
Nem bem te conheci, já me enchestes de presentes, belos adjetivos e ainda me ensinando coisas?
Não sabia disso não!
Ele riu muito e respondeu:
Nem eu sabia...
Redargui :
Não sabias, então essa informação não é verídica?
Claro que é...
Respondeu ele:
Depois vi aquele tom moreno levemente avermelhado fintando um arco íris em demolição.
É que no quintal de minha casa tem um pé cheio destas frutas,então era o que eu pudera te trazer, mas antes,me informei á respeito.
Coisa de rapaz apaixonado.
Rimos os dois e apaixonados!
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha