Vivia
ele, tempo todo, rodeando pelas cercanias, um corpo
moreno,esguio,elegante,porém encoberto pelos cabelos e barba embaraçados e
enormes, vestindo uns trapos rasgados, que as vezes permitiam até mostrarem as
partes íntimas de seu corpo.
Um
dia eu me aproximara dele, tentando oferecer alguma roupa, mas ele saíra num
átimo e atravessara a rua do outro lado.
Tinha
um aspecto sempre alegre e conversava consigo mesmo o tempo inteiro, assim como
fazem todas as pessoas, mas com ele havia uma diferença, desprovido de celular.
O seu
assunto era consigo mesmo e não estava nem aí para os transeuntes, que também
passaram a ignorá-lo.
Vez
ou outra o vira catando umas bitucas de cigarro para fumar.
Depois
sentado com as costas apoiadas no muro dava boas tragadas e num monólogo
animado ria muito, chegando a dar gargalhadas.
Eu
não o vira como alguém infeliz, ele até me lembrara Jesus,não
que Jesus andasse maltrapilho, mas e se fosse?
Ele
exibia um ar aristocrático no meio de toda aquela miséria a qual a ele
estabelecida.
Ás
vezes, quando eu passava ele dizia alguma coisa, frases que ele retirava das
circunstâncias ao redor, e depois ria alegremente.
E
livre saia como quem vai comandado pelos ventos e chamado pelas estrelas.
Era
quase metade de uma manhã, num dia parara uma ambulância, descera meia dúzia de
enfermeiros e enfermeiras, e com um tipo de corda, foram enrolando o rapaz,
como se ele fosse um tipo muito perigoso,aí o levaram para o sanatório.
Eu
ficara imaginando, quem estaria por ele
no sanatório, que tipo de tratamento seria aplicado?
Aí me
viera outros detalhes da vida na memória, o mundo humano e suas conjunturas, e
também a falta de capacidade de se colocar no lugar de outra
pessoa,principalmente,quem está desprovido de tudo.
Pensara
em Jesus, e o imaginara sendo torturado mesmo estando mediante sua mãe e seus
amigos, ele falara verdades que a multidão não quisera ouvir, então fora
trocado por Barrabás.
Imaginara
também, que esse moço carregara um pouco a cruz para Jesus Cristo, mas sorrira
um sorriso ameaçador a todos.
Jamais
imaginara ser um drogado, mesmo porque os drogados também estão jogados á
margem pelo descaso, pelo abandono mesmo.
Agora,
quando o dia amanhece, e saio á rua para caminhar, já não existe mais um louco,
em seu monólogo, talvez com a única alegria, esbanjados sorrisos, que cortava a
manhã, dos pacotes carrancudos que vinham da padaria.
Ele
se fora livre, porém amordaçado como louco, mas certamente,a liberdade de seu coração
sorridente ninguém aniquilará.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha