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terça-feira, 4 de junho de 2019

LOUCO_PROSA_DO LIVRO INTERNALIZANDO

Vivia ele, tempo todo, rodeando pelas cercanias, um corpo moreno,esguio,elegante,porém encoberto pelos cabelos e barba embaraçados e enormes, vestindo uns trapos rasgados, que as vezes permitiam até mostrarem as partes íntimas de seu corpo.
Um dia eu me aproximara dele, tentando oferecer alguma roupa, mas ele saíra num átimo e atravessara a rua do outro lado.
Tinha um aspecto sempre alegre e conversava consigo mesmo o tempo inteiro, assim como fazem todas as pessoas, mas com ele havia uma diferença, desprovido de celular.
O seu assunto era consigo mesmo e não estava nem aí para os transeuntes, que também passaram a ignorá-lo.
Vez ou outra o vira catando umas bitucas de cigarro para fumar.
Depois sentado com as costas apoiadas no muro dava boas tragadas e num monólogo animado ria muito, chegando a dar gargalhadas.
Eu não o vira como alguém infeliz, ele até me lembrara Jesus,não que Jesus andasse maltrapilho, mas e se fosse?
Ele exibia um ar aristocrático no meio de toda aquela miséria a qual a ele estabelecida.
Ás vezes, quando eu passava ele dizia alguma coisa, frases que ele retirava das circunstâncias ao redor, e depois ria alegremente.
E livre saia como quem vai comandado pelos ventos e chamado pelas estrelas.
Era quase metade de uma manhã, num dia parara uma ambulância, descera meia dúzia de enfermeiros e enfermeiras, e com um tipo de corda, foram enrolando o rapaz, como se ele fosse um tipo muito perigoso,aí o levaram para o sanatório.
Eu ficara imaginando, quem estaria por ele  no sanatório, que tipo de tratamento seria aplicado?
Aí me viera outros detalhes da vida na memória, o mundo humano e suas conjunturas, e também a falta de capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa,principalmente,quem está desprovido de tudo.
Pensara em Jesus, e o imaginara sendo torturado mesmo estando mediante sua mãe e seus amigos, ele falara verdades que a multidão não quisera ouvir, então fora trocado por Barrabás.
Imaginara também, que esse moço carregara um pouco a cruz para Jesus Cristo, mas sorrira um sorriso ameaçador a todos.
Jamais imaginara ser um drogado, mesmo porque os drogados também estão jogados á margem pelo descaso, pelo abandono mesmo.
Agora, quando o dia amanhece, e saio á rua para caminhar, já não existe mais um louco, em seu monólogo, talvez com a única alegria, esbanjados sorrisos, que cortava a manhã, dos pacotes carrancudos que vinham da padaria.
Ele se fora livre, porém amordaçado como louco, mas certamente,a liberdade de seu coração sorridente ninguém aniquilará.

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Izildinha