O
verão sumira por entre as rajadas de vento, quando as folhas se despediram dos
galhos, tristes e pálidas, saindo em direção ao nada, a cidade sentindo o sol
ausente, fizera das tardes, um cinza gélido, visitando as esquinas e
perpassando pela multidão.
O
trânsito, quase continuando o mesmo, escondera os semblantes alegres, ou
tristes, depositados em seus recintos.
Ás
vezes, sentira desertada e triste, noutras quanto lembrança me fizera
companhia, falando as mesmas coisas e noutras vezes, deixando meu coração mais
exposto, repassando dia após dia, toda uma secular existência.
Nenhuma
personagem batera em minha porta buscando uma nova história e eu ficara num
aposento sonífero repassando minhas páginas e arrancando aquelas, que foram
adornadas por espinhos, quando tanto cutucaram o meu coração.
Eu
precisara disto, como andorinha fora do bando, pousada num fio, sacudindo sob o
bramido do forte vento, que arrostara a solidão dos dias, e das noites, que me
alterara num balanço incontido.
Simplesmente,
dentro de meu coração, ainda mais profundamente a alma, que mergulhara no
passado e viera arrastando consigo as mais nobres e também paupérrimas
lembranças, que agora parecera ser um sonho profundo numa noite bem dormida,
onde a alma viajara pelas paragens só retornando ao amanhecer.
O
vento gélido e aterrorizador, fazia um barulho imenso, nos meus ouvidos de
criança, enquanto assustada e fascinada, ficara horas em sobressalto.
Nessa
época eu era uma andorinha no meio do bando, porém reclusa e deslembrada,
enquanto isso, fora juntando minhas bagagens tão estrangeiras para as
circunstâncias em que eu vivera, visto que nada me atingira, nem mesmo o
abdicação no centro de uma residência.
Pobre
residência essa, que trazia as claridades encobertas, e durante o verão, um
raio de sol varando por uma fenda, dara a impressão de um raio multicolorido,
onde eu ficara um tempão ,pondo minhas mãos tentando tocar o intocável.
O sol
antigo parecera um sol mais ameno, porém os invernos de minha infância eram
estupidamente rigorosos.
Como
andorinha, fora acostumando com as intempéries do tempo, tão desabitada, no
meio do multidão.
Quando
houvera imigração, jamais entendera, porque a temperatura sempre continuara a
mesma, então apenas contribuíra para um volume, uma estrangeira dentro, mas
longe do ninho.
E o
tempo passou, podendo eu voar como andorinha, para onde eu pudesse encontrar
algumas temperaturas a mais, que não fossem apenas os rigores da estação,
porém, um frio cortante, já houvera sido instalado, dentro de minha desabitada
empatia.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha