Aquele
inverno fora rigoroso, fizera muito frio,eu fintara ser uma andorinha quando a
noite caia carrancuda e silenciosa para mim, Marcos e sua família, houveram
mudado para Tocantins, ele me ligava,escrevia,mas não era a mesma coisa, nem
para mim, nem para ele.
Á
medida que o tempo passara,eu fora esquecendo de seu rosto, mesmo porque nas
nossas conversas no celular, nunca fora a mesma coisa, faláramos o tempo todo,
mas o frio era cortante, que falta fizera então, o calor de suas mãos, o toque
o olhar livre fora de uma janela, ou vidraça.
Estávamos
quase no Ensino Médio, mas nosso amor nascera como um amparo, uma surpresa que
parecera para um tempo certo, eles tinham todos os parentes e familiares lá e
certamente não voltariam mais.
Eu já
não era mais aquela Augusta paciente e observadora, fora ficando mais triste e
apagada, haviam dias em que eu mal tivera vontade de sair da cama.
Éramos
dois adolescentes quase jovens, esquecidos pelo resto do mundo, pelo menos um
estando perto do outro, mesmo sem dona Rafaela, nos segurávamos firmes na vida.
Agora
longe um do outro, sem promessa de nada, não podíamos arriscar ficarmos juntos,
não teríamos apoio de ninguém, sem condições.
Ás
noites eu abria a janela e tentava entre a multidão de prédios da cidade de São
Paulo, imaginar em que direção se encontrava meu amor, as vezes eu ligava para
ele e perguntava se ele estava vendo determinada estrela, porém eu nunca sabia
localizá-la no espaço.
Então
só perguntava se ele estava olhando para o céu, assim eu também olhava para nos
encontrarmos nesse momento mirando a imensidão.
Ás
vezes sozinha eu me perguntava onde estaria dona Rafaela, será que ela havia
virado uma estrela?
Talvez
ela fosse uma estrela solitária, quão solitária sempre vivera,eu nunca havia
lhe perguntado se ela houvera amado alguém, além do amor incondicional que ela
gratuitamente nos oferecia.
Marcos
dizia que estranhara muito o lugar onde moravam, não tinha amigos e a escola
era um deserto para ele, depois aos poucos ele fora se acomodando assim como
pudera.
Soubéramos
logo cedo que jamais nos veríamos talvez, pois não tínhamos condições para
isso.
Depois
de seis meses da partida de Marcos, o que parecia tão forte entre nós, a
ausência se encarregou de provar, que não passara de uma dependência
estabelecida entre nós dois, visto que éramos um ponto de referência um para o
outro.
Eu
que jurara morrer de amores por ele, já estava apaixonada por Léo, um garoto, de outro bairro que viera estudar em minha sala, nos envolvemos afetivamente,
enquanto eu todos os dias contara, sobre a distância com Marcos, e o
sofrimento.
E
quando confidenciamos a nossa vida com alguém, sendo pessoa de nossa confiança,
pode desenvolver uma dependência afetiva, chamada de transferência neurológica,
o mesmo que paciente e terapeuta.
Ele
fora muito tempo, meu amigo confidente, saíamos juntos á tardes, íamos
conversar na sorveteria da esquina.
Eu
perdera a vontade de ligar para Marcos e sentira uma grande paixão por Léo,ele
era de uma beleza extrema, e as meninas do colégio ficavam todas encantadas com
a beleza dele,alto,esguio,olhos e cabelos castanhos levemente crespos.
Era
tranquilo, quase tímido, porém de uma inteligência singular, os professores
perceberam isso logo nos primeiros dias depois de sua chegada, era impossível
não me envolver com ele.
O
rosto de Marcos desaparecera totalmente de minha memória, e a cada contato com
Léo mais aumentava minha paixão,me pegara pensando nele o tempo todo, foi
quando ele me pediu em namoro e aceitei.
Percebi
também, ele muito ligado em mim,ao contrário de Marcos, era inteligente e
sábio, quando não me sentira insegura ao seu lado, pois ele sabia muito bem
conduzir a vida com uma certa elegância regada de simplicidade.
Minha
vida mudara completamente, sentira saudade de dona Rafaela, mas como alguém
especial, desvinculada daquela dependência.
Nossos
beijos e abraços aconteciam nas praças, nos jardins, nas esquinas e calçadas da
cercania.
Quando
nos víamos, o mundo ao redor parecia parar, ou caminhar em câmera lenta,
tínhamos um controle louco sobre nós, enquanto a paixão sempre nos roubara um
pouco desse controle e nossos beijos eram incididos em quaisquer lugares, sem
que nos déssemos conta.
Essa
paixão fora ostentada por onde passávamos sem que déssemos a menos importância.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha