A rua
da casa onde eu residia com minha mãe Lídia, meu padrasto Artur e meu irmãozinho Rodrigo,realmente era para mim, um tipo de extensão, de onde eu saíra
da consternação para o paraíso, quando me era dada permissão, para ir á rua,
brincar com outras crianças.
Era
uma rua simples ,porém muito acolhedora que parecia se estender além de minha
casa, pois as esquinas traziam deliciosas raspadinhas, que uma ou outra colega
sempre deixara um restinho no copo, ou então dividira em dois copinhos.
Fazíamos
nossos desenhos com cacos de tijolos no meio da rua, e quando aparecia um
carro, a velocidade era tão lenta, que dava tempo nos recuarmos.
Aquela
rua era ornamentada com casas mais altas, e flores trepadeiras nas sacadas,
caindo pelos muros, deixando pétalas murchas nas calçadas.
Era
uma rua desertada, quase sem movimento algum, estávamos mais para uma cidadela,
do que um bairro da grande São Paulo, os carros que por ali transitavam, tinham
um ar de enfadados, e enferrujados pelo tempo, fazendo grande barulho, que me
acordavam todo os dias ás quatro da manhã, estourando seus escapamentos,
principalmente em época de frio.
Mas
eu amara aquela rua, aquele povo tão acolhedor, aos quais eu considerava também
uma expansão de minha família, com um requinte a mais sempre, o calor humano, a
consideração.
Brincávamos
muito de amarelinha e também de pular corda.
Arrumamos
uma porta velha que fora ao lixo, limpamos direitinho e fizemos dela uma lousa,
e com caco de tijolos fazíamos nossos desenhos, escrevíamos nossos diários, que
depois eram apagados, pelo orvalho da noite.
E quando voltávamos no outro dia, nossa
lousa verde, parecia inundada de lágrimas escorridas sobre nossos desenhos, e
escritas.
Limpávamos
tudo de novo e recomeçávamos a escrever.
Houveram
dias em que eu não pudera ir brincar, pois havia muita coisa em minha casa para
fazer e só terminara á noite.
Então,
depois do banho, fazer meu irmãozinho dormir, jantar e fazer as tarefas da
escola.
Meu
padrasto ás vezes chegava bêbado e brigava muito com minha mãe, então eu me
deitava e ia dormir sem jantar.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha