Marcadores

quarta-feira, 27 de março de 2019

MAU GOSTO_DO LIVRO_INVALIDADORES

Quando chegava o verão, aos domingos tomávamos sol no quintal e aos poucos fui percebendo, que minha pele ,além de bronzeada ficara linda no verão.
Fora deixando algumas das invalidações de minhas irmãs do lado.
Tinha em mente sempre o meu querido Amauri, e de vez em quando o via, mas ele parecia ter mudado de cidade, então dificilmente nos víamos.
Eu sonhara com ele o tempo inteiro, lembrara de um beijo que ele me pedira, mas eu não dera,virei as costas e disse tchau.
Estava morrendo de vontade dar um beijo nele, mas minhas amigas estavam juntas, então me senti tolhida.
Mesmo porque, com certeza, no outro dia, minha irmã mais velha e minha mãe estariam sabendo.
Assim, eu fora invalidando um amor verdadeiro que poderia ter dado certo.
O tempo foi passando e sem que eu esquecera dele, fui vivendo á minha maneira, construindo ainda meus sonhos, pensando também em algum dia dar aula para crianças com meu diploma de professora primária.
Mas enquanto eu trabalhava na padaria, tinha que fazer daquele trabalho, algo mais do que sacrifício, então fizera amizade com a clientela e assim, meus dias eram mais alegres e produtivos.
Eu tinha uma vizinha, amiga de minha irmã que satirizava me dizendo para eu usar gorro de padeiro, que ia ficar muito bem em mim.
Eu ria de suas invalidações a meu respeito,porém,intimamente sabia o que ela queria me dizer.
Também, nunca achei nenhum trabalho censurável ou desonesto, portanto nunca dei bola para suas asseverações de mal gosto a meu respeito.
Era uma manhã de chuva,eu estava sem vontade de absolutamente nada, e dizer que está sem vontade de nada, principalmente nas entrelinhas de um livro parecera uma chatice, mas é inerente a todo ser humano.
É que eu estava ligando as coisas e tudo parecia empatado e preso num mesmo lugar.
Amauri, que ainda era quase tudo segredo para mim,me fizera tanta falta, em todos esses anos.
  Nunca havíamos conversado bastante, nunca havíamos almoçado juntos e muito menos nos tocado.
Então imaginara ser carência, um certo tipo de sentimento que ás vezes não gostamos de assumir, mas que sentimos.
E se for para ser sentida, sem nunca ter compartilhado a presença de alguém, que seja escolhida a melhor pessoa, aquela que nos causa boa impressão.
Então, nesse meio sem vontade a presença de Amauri, é que se fizera ausente para mim e sempre.
Vivemos dizendo que somos todos iguais, mas quando vamos avaliar as nossas pertenças, notamos que para nós, as diferenças interferem e muito.
Somos todos iguais perante Deus, quando trilhando um mesmo rumo, uma mesma direção, embora tenhamos sido feitos por Ele mesmo, diferentes quanto ás parecenças.
Somos cores diferentes espalhadas pelo Universo que nos compõe.
Acredito que a saudade seja pintada de amarelo, pois tem um jeito meio desajeitado de incomodar tanto e ao mesmo tempo, tem um gosto doce daquilo que já se viveu.
Em minha pouca idade, sentia meu coração inquieto,desacomodado,e em outras vezes, um pouco mais tranquilo, quando pensara em Amauri.
Era, como  deixar, um grande amor ir embora, e nada fazer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo carinho!
Izildinha