As
manhãs parecem sempre uma promessa para mim, como eram até bem pouco atrás, e
eu tinha uma vontade de viver, de realizar coisas e também muita disposição.
Agora
continuo fazendo tudo que fazia nas manhãs, porém as tardes murcham como flores
no asfalto esperando uma presença de água fresca,ou uma nuvem serena regando as
pétalas da alma.
Porém,
ele nunca vem,o silêncio da morte é como
uma navalha cortante no coração.
Tão
dorido silêncio que me deixa com lágrimas sem querer, contida constância ,em
acúmulo de saudade tornando minha existência num amontoado de lembranças.
E
para apaziguar um pouco essa dolente existência solitária e incompreendida pelo
mundo, contorno minhas emoções com um sono profundo ás vezes.
Nenhum
sonho que me diga uma palavra sequer, nenhum recado, e a caixa postal
ressequida e silenciosa.
Ainda
que eu passasse mil anos, caso acreditasse na reencarnação, seria absolutamente
impossível esquecer.
Então,eu
sonho com um possível descarte por parte dele, fico imaginando que com ele
presente nesta dimensão, mesmo ao lado de outra, minha vida iria fluir melhor.
Mesmo
imaginando numa insensibilidade por parte dele, para minha dor mais lancinante,
no que pudera tanger em nosso relacionamento, assim mesmo eu preferia estar
consciente de sua existência nesta dimensão, egocêntrica que sou, não aprendera
nesta vida, perder quem eu amo.
O
ventilador me refresca o corpo,me atrai para a inspiração, porém as insônias
sofridas, arrastando-me para
a cama em plena manhã depois dos afazeres.
A
minha depressão tem sido compreensiva até demais, e tenho sentido a mão forte
de Deus me guiando e uma presença de pétala da Virgem Maria.
Então
entendo que preciso vivenciar todos estes momentos, mesmo revirando meus
pensamentos ás vezes em revolta.
Quando
olho para os contatos no celular, vejo o nome dele tão parado, também deletei
todas as mensagens que não me trariam ele de volta, mas que me faziam chorar
muito de saudade.
Procurei
todos os e-mails que escrevia quando brigada e eles sumiram também, e vou
colocando uma explicação para cada porém.
Buscara
nas minhas lembranças, nosso último encontro, e vejo todos os sinais de que ele
possa estar vivendo em algum lugar longe de mim, isso me consola um pouco,
instigando-me a pensar que ele não me amara, tanto quanto eu.
Ou
mesmo que nunca me amara, apenas tinha em mim um romance esporádico, sem hora e
lugar.
Vou
girando meus sentidos, feito redemoinho que nunca se acomoda, porque nunca
encontro a resposta plausível para minhas perguntas.
Peço
perdão a Deus, sei que tudo faz sentido, e que mais cedo ou mais tarde essa
resposta virá.
Também
sinto que nosso amor fora abençoado, talvez seja para meu consolo,minha
compreensão, mas sinto.
Nunca
tivemos todo tempo do mundo, mesmo assim o amor esteve marcante sempre.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha