Quando Renato, meu segundo bebê nascera eu entrara
de licença maternidade.
Ele era meio raquítico, comprido e
bem magrinho, já o Rodrigo nascera mais curtinho e cheinho.
Mesmo sendo a segunda vez mãe,
tivera uma imensa preocupação, que se transformara em ansiedade, igualmente de
quando nascera Rodrigo.
Aos poucos essa tensão toda
desaparecera, então se tornara mais fácil cuidar do bebê.
Eu vivia esterilizando as coisas de
meus bebês e colocando numa caixinha de isopor,eu tinha uma vizinha que um dia
me dissera, em tom jocoso:
Qualquer dia você ferve essas
crianças para esterilizar.
Nós demos muita risada, mas eu era
assim, um exagero misturado com ansiedade, que graças a Deus não atingira a
doença do toque.
Meus filhos cresceram, entraram na
escola e nossa vida ia muito bem,porque passara se resumir para mim nos meus
dois filhos, exagerava em tudo com eles, talvez para tapar algum vão vazio.
Raul de manhã levava os passear na
rua enquanto eu corria com os afazeres, pois os dois trabalhávamos á tarde.
Nossas crianças frequentavam o
período da tarde na escola também.
Quando Renato estava na quinta
série, estava saindo para o trabalho e o vi voltando para casa.
Nem dera tempo de perguntar, uma
professora de geografia adentrara minha casa gritando com ele e o levando pelo
braço.
No final da tarde passara na escola
para saber o que acontecera e a inspetora me disse, que era porque ele havia
esquecido o sulfite para a prova, e ela lhe dera uma bronca.
A inspetora mesmo me disse que ela
subira a escada arrastando ele pela mão dela, e aos gritos.
Eu imediatamente pedira a
transferência, era uma escola muito boa, mas ele vivia sempre triste e
acabrunhado por causa dessa professora.
Se fosse o Rodrigo saberia que ele era bastante falante, mas o Renato, naquela época era tímido demais.
Também ouvira várias reclamações de
amigos deles á respeito da professora, que de tão irritada e nervosa, os alunos
nem aprendiam direito.
Sendo professora também, entendera
que um professor sofre muito em sala de aula, mas jamais podemos ser carrascos.
Enfim, tudo correra bem com o Renato
que se tornara até mais solto e alegre, pois ele estudara com maior satisfação
do que antes.
Morria de medo que o Renato também
fosse empata como eu,vítima de manipuladores, por isso, vivia sempre preocupada, mas com o tempo
ele aprendera a se defender muito bem contra as investidas da vida, tornando-se
um filho batalhador e guerreiro.
Meu relacionamento com o Raul,
havia entrado num marasmo sem fim, ele quase nunca falara comigo,adorava me dar
tratamento de silêncio, mas bastava aparecer alguém que ele se tornara sedutor
e muito falante.
Ele ignorava as coisas que eu fazia
para nossa casa, ou então punha defeitos.
Eu houvera me distanciado de todas
as minhas amizades e só sobraram as dele, então íamos ás comemorações de finais
de ano, e esporadicamente recebíamos alguma visita em nossa casa.
Houve um ano em que nosso
relacionamento estava muito mal e eu ouvira os ventos uivando a noite toda.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha