Marcadores

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

FILHOS-TRECHO DO LIVRO-INVALIDADORES

Quando  Renato, meu segundo bebê nascera eu entrara de licença maternidade.
Ele era meio raquítico, comprido e bem magrinho, já o Rodrigo nascera mais curtinho e cheinho.
Mesmo sendo a segunda vez mãe, tivera uma imensa preocupação, que se transformara em ansiedade, igualmente de quando nascera Rodrigo.
Aos poucos essa tensão toda desaparecera, então se tornara mais fácil cuidar do bebê.
Eu vivia esterilizando as coisas de meus bebês e colocando numa caixinha de isopor,eu tinha uma vizinha que um dia me dissera, em tom jocoso:
Qualquer dia você ferve essas crianças para esterilizar.
Nós demos muita risada, mas eu era assim, um exagero misturado com ansiedade, que graças a Deus não atingira a doença do toque.
Meus filhos cresceram, entraram na escola e nossa vida ia muito bem,porque passara se resumir para mim nos meus dois filhos, exagerava em tudo com eles, talvez para tapar algum vão vazio.
Raul de manhã levava os passear na rua enquanto eu corria com os afazeres, pois os dois trabalhávamos á tarde.
Nossas crianças frequentavam o período da tarde na escola também.
Quando Renato estava na quinta série, estava saindo para o trabalho e o vi voltando para casa.
Nem dera tempo de perguntar, uma professora de geografia adentrara minha casa gritando com ele e o levando pelo braço.
No final da tarde passara na escola para saber o que acontecera e a inspetora me disse, que era porque ele havia esquecido o sulfite para a prova, e ela lhe dera uma bronca.
A inspetora mesmo me disse que ela subira a escada arrastando ele pela mão dela, e aos gritos.
Eu imediatamente pedira a transferência, era uma escola muito boa, mas ele vivia sempre triste e acabrunhado por causa dessa professora.
Se fosse o Rodrigo saberia que ele era bastante falante, mas o Renato, naquela época era tímido demais.
Também ouvira várias reclamações de amigos deles á respeito da professora, que de tão irritada e nervosa, os alunos nem aprendiam direito.
Sendo professora também, entendera que um professor sofre muito em sala de aula, mas jamais podemos ser carrascos.
Enfim, tudo correra bem com o Renato que se tornara até mais solto e alegre, pois ele estudara com maior satisfação do que antes.
Morria de medo que o Renato também fosse empata como eu,vítima de manipuladores, por isso, vivia  sempre preocupada, mas com o tempo ele aprendera a se defender muito bem contra as investidas da vida, tornando-se um filho batalhador e guerreiro.
Meu relacionamento com o Raul, havia entrado num marasmo sem fim, ele quase nunca falara comigo,adorava me dar tratamento de silêncio, mas bastava aparecer alguém que ele se tornara sedutor e muito falante.
Ele ignorava as coisas que eu fazia para nossa casa, ou então punha defeitos.
Eu houvera me distanciado de todas as minhas amizades e só sobraram as dele, então íamos ás comemorações de finais de ano, e esporadicamente recebíamos alguma visita em nossa casa.
Houve um ano em que nosso relacionamento estava muito mal e eu ouvira os ventos uivando a noite toda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo carinho!
Izildinha