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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

TARDES DE DOMINGO[FRAG. DO LIVRO-O PRÓXIMO LIVRO]

Nas tardes de domingo Sharid gostava de passear comigo, pelo centro de São Paulo, ele dizia não haver arquitetura mais linda...
Embora, sempre contrastando com tanto sofrimento, as pessoas  como zumbis andando  para todos os lados, num aglomerado perdido.
Contrastando com a beleza da arquitetura, não porque as pessoas fossem feias.
 Porém feio sempre fora o descaso, a desculpa, de que são eles precisam querer se tratarem.
Quando seres não têm condições de decidir pela vida, é um tipo de pena de morte, permitir que morram na rua abandonados.
Como podemos nós cobrarmos sobriedade, dizia ele, de alguém que não tem condições de administrar a própria vida.
Um tratamento forjado sim, mas com o devido respeito, mesmo porque os direitos humanos valem para todos mesmo, indiferentemente de poder aquisitivo e condição social.
Acredito!
Ele dizia sempre:
Que quem não tem ninguém que lhe proteja, necessita de um olhar mais cuidadoso das próprias autoridades, que têm competência e condições de tirarem essas pessoas do sofrimento e morte condenada..
Acredito que uma casa com jardim cuidado, interior cuidado, pessoas bem cuidadas, envolvendo animais e tudo que dela faz parte, se torna pacífica e completa, sem esconder entulho nos escombros.
Gostara sempre de ouvir Sharid, quando ele discorrera como bom advogado ,e ser humano que era.
Essa linha de pensamento, era corretíssima, pois esperar pela decisão de quem não tem condições, de decidir, já está sendo levado á morte pela droga,justamente,seria uma forma branda de lavar as mãos para o fato.
Dizia ele também:
Os médicos estão para os doentes e não para pessoas saudáveis,portanto,quando um ser está sob risco de morte, seja ele quem for,tem que ser prioridade.
Também dizia:
Enquanto o mundo é mundo, sempre existiu e vai existir descaso e abandono de muitos e privilégio de poucos.
Eu ficava ouvindo Sharid,e muita coisa ia clareando em minha maneira de ver essas pessoas que sofrem a ponto de poder me colocar no lugar delas e sentir o drama.
Ele dizia também:
Dizem que a vida é feita de escolhas, mas eu acredito, estas serem  privilégios de quem pode escolher.
 Porque se todos tivessem discernimento e pudessem escolher, um ou outro escolheria errado.
Porém, não é possível tantas pessoas escolhendo  a miséria humana, a miséria intelectual, a miséria de bens materiais para si.
Passara então, a entender mais o que via, passara a pensar como ser melhor e mais civilizado, entendendo a vida em abundância uma imposição divina, cabendo punição também divina, à quem negasse esses preceitos.
A fé em Deus abrira meu coração para um ser mais generoso, e munida da mesma, sentira sempre uma leveza na alma.
Sharid simplesmente era um ser humano espetacular.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha