Nas tardes de domingo Sharid gostava de
passear comigo, pelo centro de São Paulo, ele dizia não haver arquitetura mais
linda...
Embora, sempre contrastando com tanto
sofrimento, as pessoas como zumbis
andando para todos os lados, num
aglomerado perdido.
Contrastando com a beleza da arquitetura,
não porque as pessoas fossem feias.
Porém feio sempre fora o descaso, a desculpa, de que são eles precisam querer se tratarem.
Porém feio sempre fora o descaso, a desculpa, de que são eles precisam querer se tratarem.
Quando seres não têm condições de
decidir pela vida, é um tipo de pena de morte, permitir que morram na rua
abandonados.
Como podemos nós cobrarmos sobriedade,
dizia ele, de alguém que não tem condições de administrar a própria vida.
Um tratamento forjado sim, mas com o
devido respeito, mesmo porque os direitos humanos valem para todos mesmo,
indiferentemente de poder aquisitivo e condição social.
Acredito!
Ele
dizia sempre:
Que quem não tem ninguém que lhe proteja,
necessita de um olhar mais cuidadoso das próprias autoridades, que têm
competência e condições de tirarem essas pessoas do sofrimento e morte
condenada..
Acredito que uma casa com jardim cuidado,
interior cuidado, pessoas bem cuidadas, envolvendo animais e tudo que dela faz
parte, se torna pacífica e completa, sem esconder entulho nos escombros.
Gostara sempre de ouvir Sharid, quando
ele discorrera como bom advogado ,e ser humano que era.
Essa linha de pensamento, era
corretíssima, pois esperar pela decisão de quem não tem condições, de decidir,
já está sendo levado á morte pela droga,justamente,seria uma forma branda de
lavar as mãos para o fato.
Dizia ele também:
Os médicos estão para os doentes e não
para pessoas saudáveis,portanto,quando um ser está sob risco de morte, seja ele quem for,tem que
ser prioridade.
Também dizia:
Enquanto o mundo é mundo, sempre existiu
e vai existir descaso e abandono de muitos e privilégio de poucos.
Eu ficava ouvindo Sharid,e muita coisa ia clareando em minha
maneira de ver essas pessoas que sofrem a ponto de poder me colocar no lugar
delas e sentir o drama.
Ele dizia também:
Dizem que a vida é feita de escolhas, mas
eu acredito, estas serem privilégios de
quem pode escolher.
Porque
se todos tivessem discernimento e pudessem escolher, um ou outro escolheria
errado.
Porém, não é possível tantas pessoas
escolhendo a miséria humana, a miséria
intelectual, a miséria de bens materiais para si.
Passara então, a entender mais o que via,
passara a pensar como ser melhor e mais civilizado, entendendo a vida em
abundância uma imposição divina, cabendo punição também divina, à quem negasse
esses preceitos.
A fé em Deus abrira meu coração para um
ser mais generoso, e munida da mesma, sentira sempre uma leveza na alma.
Sharid simplesmente era um ser humano
espetacular.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha