O
internato para mim era um tipo de
moradia passageira, pois sempre aparecia alguém querendo adotar uma criança e
eu era exposta como um produto á venda, mas acabava sempre ficando por lá.
Meu
nome Maria,eu gostava muito, não sei porque.
Também
gostava muito da Eleonora, ela sempre estava me fazendo carinhos, brincando
comigo e preocupada com a minha saúde.
Ela
passara a ser minha família, era tão especial que substituíra uma família
inteira, portanto com o tempo, passei a torcer para que ninguém me adotasse,
pois sentiria muita saudade de Eleonora.
Ela
oferecia nossas refeições e sempre ficava insistindo para que eu comesse tudo
que tinha no prato.
As
meninas do internato gostavam de bonecas e eu também.
A
Eleonora sempre dava um jeito de trazer uma boneca diferente.
Brincávamos
de mamãe e seus bebês, fazíamos batizados e dávamos nome ás nossas bonecas.
De
vez em quando Eleonora aparecia com um monte de roupinhas e fazíamos uma festa,
vestindo nossas bonecas.
Outros
dias deixávamos as bonecas e íamos brincar de amarelinha, principalmente na
época do frio, numa parte ensolarada do pátio.
Tinha
uma menina que se chamava Rita ela sabia pular cordas como ninguém, era seu brinquedo preferido.
Quando
alguma de nós ficava doente, a Eleonora até levava bronca da madre superiora de
tanto que ela nos vigiava e cuidava.
A
hora certa do remédio, das vitaminas que ela fazia quase que meio escondida,eu
percebia.
A
minha infância fora fechada naquele orfanato sem poder dar um passeio e
conhecer pelo menos a rua em que eu morava, mas eu gostava daquele lugar.
Quando
alguém de nós fazia aniversário, sempre vinham algumas pessoas da igreja
trazerem bolo e guaraná para todas nós.
A
tia Janete também de vez em quando, pelo menos uma vez por semana, ia ler
histórias infantis no pátio para todas nós.
Eu
adorava a história da Branca de Neve e os Sete Anões, Pequeno Polegar, A Bela Adormecida e muitas
outras, toda vez que ouvíamos as leituras de histórias, ficávamos mais felizes.
Tia
Janete era uma pessoa boníssima e sempre levava pirulitos ,balas de coco, de
chocolate e fazíamos a festa.
Também
tinha um padre que ia rezar uma missa na capela de vez em quando, ele era
gorducho e bonachão, sempre fazia alguma brincadeira e nós ríamos muito.
A
que eu mais gostava é quando ele fazia que tropeçava e depois ficava:
Ai
meu pé!
Pulando
com uma perna só todo desengonçado.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha