Eu
gostava muito de pegar o caderno de uma colega de classe, que tinha
dificuldades, fazer sua tarefa, sem que a professora visse, depois mandar ela
levar para corrigir.
Hoje
entendo, o quão grave fora isso, mas naquela época, tendo pena dela, achara que
estivera ajudando.
Eu
gostava muito dela, era uma pequena nissei frágil, miúda, espalhafatosa e muito
brincalhona.
Seu
nome era Clarice.
Ainda
tenho a Clarice na memória, seu tecido grosso da saia do uniforme fazia até
barulho quando ela andava, e também carregava uma bolsa enorme com um estojo de
lata, cheinho de lápis.
Ás
vezes, ela passava cedinho na minha casa, espalhava todo material pelo chão, e
fazia a lição de casa, enquanto eu tomava café e me vestia.
Ela
levava uns bolinhos de feijão, feitos por sua avó que era uma delícia e sempre
me dava um.
Eu
adorava aqueles bolinhos!
Saíamos
bem antes do horário, e íamos conversando, a escola não era nem muito longe nem
tão perto, ficava numa distância mediana, na medida exata para conversarmos nossos
assuntos de criança.
Ela
tinha costume de ás vezes, andar depressa e depois rodopiava, e me esperava.
Clarice
era minha melhor amiga, uma menina simples ,boníssima, sem maldade alguma.
Clarice
não tinha pai nem mãe, nunca foi falado nada a respeito deles, tinha uma tia
que cuidara dela e mais duas irmãs mais velhas que ela.
A
tia dela se chamava Maria, uma japonesa também miúda, e muito falante.
Essa
tia não tinha marido, embora bem jovem ainda, tinha um único filho, ainda bem
criança chamado Akira.
Eu
ouvira dizer, que o marido dela, quando moravam numa fazenda, fora caçar e
houvera um acidente com a espingarda e o encontraram morto.
Sem
tantas perguntas e tudo que importava para mim naquela época era a amizade da
Clarice.
Aos
domingos brincávamos juntas as tardes inteiras e era muito bom.
E
amava a minha amiguinha, porém naquela época nunca me dera conta da intensidade
desse amor, mas fora um amor que ela com sua bondade de menina, despertara em
mim.
Lembro
de um dia,eu já casada me encontrara com ela depois de ficarmos muito tempo sem
nos ver e ela fizera a maior gritaria quando me vira, percebi que aquela
criança feliz e simples, ainda habitava
nela.
E
foram abraços apertados, beijos estalados!
Embora
nunca mais a vira, meu coração reserva um espaço para aquela eterna amizade,
quando o tempo cada vez mais mostrara sua pureza e generosidade.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha