Em
minhas andanças pelas escolas como professora, posso dizer que nem tudo foram
flores, mas houveram fatos que simplesmente superaram, todos e quaisquer
sofrimentos.
Logo
que me mudei para a cidade de Ribeirão
Preto, comecei a lecionar num bairro bem afastado chamado Marincek.
Eu
cortava em pleno calorão a cidade de ponta a ponta, e depois atravessava a
linha de trem que de tempo em tempo, abria e fechava
para
os carros poderem cruzarem com segurança.
O
diretor da escola,professor Valter, mineiro gente boa, era uma figura simpaticíssima e hilária
também.
Quando ele passava nas salas para passar recados, até os alunos se divertiam com o jeito dele, mas o respeitavam muito.
Quando ele passava nas salas para passar recados, até os alunos se divertiam com o jeito dele, mas o respeitavam muito.
A
escola caminhava ás mil maravilhas, e era muito animado lecionar no período
vespertino, que hoje já não existe mais.
Gostava daquele período fechado, porque eu não tinha que sair de casa antes do dia
amanhecer, para chegar,quando todos já tinham ido dormir,pois um período assim,vai nos aniquilando tanto, que quando percebemos,nem
mais amigos temos.
Pois
bem,um diretor muito festeiro ,e qualquer comemoração era motivo para elaborar
uma festa com a comunidade e tudo saia perfeito.
Escola
muito simples, mas bem cuidada, uma merenda bem confeccionada para os alunos,
que também pareciam felizes, não dando trabalho algum.
Quando
tínhamos conselho de classe, entrávamos noite adentro até de madrugada, pois
ele não permitia deixar nada para depois, e mediante o conselho ele sempre vivia alertando sobre a discrepância de notas tiradas pelos alunos.
Dizendo: - Olha a discrepância!
O professorado respeitava e gostava muito dele, o que não impedia de o acharem bastante hilário.
Dizendo: - Olha a discrepância!
O professorado respeitava e gostava muito dele, o que não impedia de o acharem bastante hilário.
Bem,
como toda escola que se presa, aquela também tinha uma fanfarra, que de
fanfarra não tinha nada.
Quando
saiam á rua para ensaiar, parecia o retumbar de trovões
anunciando
uma grande tempestade.
Eu ficava explodindo por dentro de vontade de rir,mas por outro lado,feliz do lado da garotada, assim como o professorado todo.
Eu ficava explodindo por dentro de vontade de rir,mas por outro lado,feliz do lado da garotada, assim como o professorado todo.
Ele
punha a fanfarra por último, e na frente, professores e alunos:
-Esquerda
direita, esquerda direita, de vez em quando eu tinha uns disfarçados ataques de
risos, mas no meio da multidão, suponho que ninguém percebia nada.
Foi
num desses ensaios, e lá estava ele, não sei por que cargas d’água, pastando
livremente, perto da cerca, mas numa ruela sem calçada e sem asfalto.
Um
boi malhado, muito bonito, e quando viu a multidão, levantou as orelhas e
mirou-as em direção ao povo.
Pensei
comigo:- Agora o negócio é correr mesmo.
Mas
não, ele olhou assustado com as orelhas em pé, deu meia volta volver, e saltou
a cerca num salto ornamental, que nem triscaram os cascos no arame.
Depois saiu em disparada rumo contrário de onde estava a fanfarra, e desapareceu num átimo!
E a fanfarra continuou: Ta clam,ta clam, ta clam, era essa a sinfonia.
Depois saiu em disparada rumo contrário de onde estava a fanfarra, e desapareceu num átimo!
E a fanfarra continuou: Ta clam,ta clam, ta clam, era essa a sinfonia.
Foi
um susto geral na hora, mas hoje me lembro, e rio muito dessa situação
engraçada, que fica grudada na memória
como um pedacinho das grandes
felicidades
que aparecem disfarçadas no decorrer da vida.
Foram
tempos leves e soltos, tempos que foram capazes de deixar a felicidade
explícita em momentos de risos, e na simplicidade de viver.
Uma
escola sem dificuldades de aprendizado, direcionada por uma pessoa incrível, criativa,
hilária, muito simples e competente também.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha