Enquanto
a tarde caia eu caminhava pelo canal olhando a montanha, imaginando que aquilo
fora um sonho conquistado, e fora mesmo!
As
garças exibindo suas penas brancas, no meio do tremedal, se mantinham intactas,
sem nenhuma receita de como se manterem jovens.
Pelo
menos que se saiba...
Vez
ou outra aparecia uma morta, talvez fosse de velhice, mas ficava um tempão para
deteriorarem.
É a vida de todos os seres, mais uma vez me vinha na cabeça isso.
Será
que eu estava aproveitando a vida?
Mas
também...
Que
diferença fazia.
Nunca
vi escrito numa tumba.
Aqui
jaz uma pessoa feliz.
Mesmo
porque, aquelas garças morriam assim, sem mais nem menos.
Eu
nem sei se a morte, se é que existe, com sua foice na mão, sabia distinguir,
qual era a garça velha, da garça nova.
Então,
até hoje me pergunto, porque as pessoas depois de morta permanecem tão caladas!
Dormem
tanto!
A
morte deve ser um alívio para as pessoas insones, pois nem precisarão mais de
tarjas pretas para dormir.
Engraçado,
uma vez li um poema que dizia que o sono era o ensaio da morte...
E
quando eu era criança, quando perdia o sono á noite, era tudo tão estranho, nem
parecia o mesmo lugar.
Mas
voltando ás garças, elas mantinham uma juventude até o derradeiro momento.
Mas,
sabe se lá o corpo...
Será
que não dão os avisos como os nossos?
As
dores parece que gostam das pessoas da chamada terceira idade, elas passeiam
pelo corpo, principalmente á noite, se elas dizem alguma coisa ao corpo, não
dizem a nós.
Mas
quem sabe daqui uns dias ainda descubram a pílula da eternidade.
Já
pensou?
Aí
vai ser um alvoroço só, todo mundo vai querer ser eterno, que chatice!
O
que é eterno?
Acredito
que depois desta dimensão saberemos entender a eternidade.
Mesmo
porque somos todos iguais, os animais, as aves, as garças brancas, e até as
árvores morrem.
Por
enquanto ficamos todos sem entender, o que realmente é eternidade.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha