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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

AS GARÇAS BRANCAS

Enquanto a tarde caia eu caminhava pelo canal olhando a montanha, imaginando que aquilo fora um sonho conquistado, e fora mesmo!
As garças exibindo suas penas brancas, no meio do tremedal, se mantinham intactas, sem nenhuma receita de como se manterem jovens.
Pelo menos que se saiba...
Vez ou outra aparecia uma morta, talvez fosse de velhice, mas ficava um tempão para deteriorarem.
É a vida de todos os seres, mais uma vez me vinha na cabeça isso.
Será que eu estava aproveitando a vida?
Mas também...
Que diferença fazia.
Nunca vi escrito numa tumba.
Aqui jaz uma pessoa feliz.
Mesmo porque, aquelas garças morriam assim, sem mais nem menos.
Eu nem sei se a morte, se é que existe, com sua foice na mão, sabia distinguir, qual era a garça velha, da garça nova.
Então, até hoje me pergunto, porque as pessoas depois de morta permanecem tão caladas!
Dormem tanto!
A morte deve ser um alívio para as pessoas insones, pois nem precisarão mais de tarjas pretas para dormir.
Engraçado, uma vez li um poema que dizia que o sono era o ensaio da morte...
E quando eu era criança, quando perdia o sono á noite, era tudo tão estranho, nem parecia o mesmo lugar.
Mas voltando ás garças, elas mantinham uma juventude até o derradeiro momento.
Mas, sabe se lá o corpo...
Será que não dão os avisos como  os nossos?
As dores parece que gostam das pessoas da chamada terceira idade, elas passeiam pelo corpo, principalmente á noite, se elas dizem alguma coisa ao corpo, não dizem a nós.
Mas quem sabe daqui uns dias ainda descubram a pílula da eternidade.
Já pensou?
Aí vai ser um alvoroço só, todo mundo vai querer ser eterno, que chatice!
O que é eterno?
Acredito que depois desta dimensão saberemos entender a eternidade.
Mesmo porque somos todos iguais, os animais, as aves, as garças brancas, e até as árvores morrem.
Por enquanto ficamos todos sem entender, o que realmente é eternidade.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha