Jamais me sentira só, jamais sentira a
ausência de Artur, como ás vezes sentira antes, e ficara entristecida achando
que ele estaria caindo no esquecimento.
Passara a ter um discernimento muito mais
elevado, e sentira que Artur ás vezes era requisitado para ajudar alguém que
chegara para ficar, ou mesmo para voltar como fora meu caso.
Ao sair do corpo para a consciência, fora
uma sensação incrível, maravilhosa como jamais soubera avaliar.
Vivêramos felizes neste plano maravilhoso
e fora assim que eu continuara vivendo.
Os nossos bisnetos foram crescendo e
quando adolescentes eram completamente felizes, trazendo também muita
felicidade para Leda e Arturzinho.
Eram carinhosos e já conseguiam assimilar
bem o que lhes houvera acontecido, portanto tendo um discernimento mais bem
assoalhado sobre os falecidos pais.
Ás vezes,tu os sentira ali, bem pertinho
de meus bisnetos como uma luz clara e evidente, como uma centelha do divino
clareando o tal cenário.
Eles vinham sozinhos e ficavam as férias
inteiras em minha casa,eu ficara mal acostumada, porque eles me paparicavam o
tempo todo.
Eu conversara muito com eles sobre a
finitude, sobre idosos e eles pareciam entenderem, porém diziam que eu iria ser
eterna na vida deles.
Eu sempre dissera:
Assim como são vossos pais, da Terra, e
do Céu também.
Clara era uma mocinha linda, gostava das
trancinhas que eu fizera em seus cabelos, e das flores que eu comprara em forma
de presilhas.
Ficara linda!
Quando eles entraram na faculdade
,sentira grande alegria por partes dos pais ,optaram os dois por medicina.
Era outono e um vento leve soprava nas
tardes, eu me sentira um pouco cansada, sentira agora muito mais a presença de
Artur e também acreditara estar próxima minha partida.
Eu pressentira isso!
Feliz por saber que trilharia um caminho
já conhecido, porém triste por tal fato fazer alguém dos meus sofrerem
Maria me ligara todos os dias e eu pedira
a ela para vir ao Brasil cuidar de uns documentos para mim,eu sempre tivera
grande dificuldades com documentação.
Eu queria legalizar a situação de minha
casa, passando para eles,eu precisara fazer isso, pressentira muito.
Com a presença de Maria em minha casa me
sentira mais segura, soubera que Maria cuidaria de tudo.
Ela estava feliz com os netos quase
formados e eu sentira que meu tempo era escasso, a vida me fora maravilhosa,
mas os limites de meu corpo, já me pesavam muito, ás vezes.
Porém, sempre cuidara do jardim, das
frutas do quintal e mantivera todas as espécies que Artur houvera colecionado.
Maria adorava omelete com bertalha, nosso
prato favorito desde que ela era bebê.
Arturzinho também aprendera a gostar
conosco e Leda também.
Nossos bisnetos adoravam!
Eu dissera a Maria que gostaria muito que
ela voltasse a viver naquela casa com Eduardo, mas, a sentira dividida, pois em Londres estivera
praticamente toda sua família.
Eduardo viera de um orfanato e seu filho
Arturzinho, por se casar com uma mulher estéril, também buscara seus filhos num
orfanato,eu sentira que a vida fora nos encaminhando de maneira singular.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha