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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO

O clínico nos explicara sobre o líquido amniótico, que começara a ser produzido no início da gestação, na fase embrionária, e é composto pela água vinda do corpo da mãe.
Doze dias depois da concepção, forma-se o saco amniótico, uma camada fina, translúcida, porém muito forte e resistente, que envolve o bebê e o fluído durante a gestação, só se rompendo no momento do parto.
 Essa bolsa, aliás, é a primeira coisa que os pais conseguem ver no ultrassom na quarta ou quinta semana de gravidez, mesmo antes de ser possível identificar o embrião.
Somente após a vigésima semana, quando o feto desenvolve os rins, é que começa uma interação mais direta com o líquido que o cerca.
 O bebê o inspira e expira, engole e o elimina por meio da urina.
Por mais curioso que pareça, esse processo é completamente saudável, porque estimula o desenvolvimento dos sistemas pulmonar e digestivo.
 Nessa fase, a substância está em constante renovação e passa a ser constituída principalmente pela urina do bebê, mas também apresenta uma pequena concentração de nutrientes, hormônios e anticorpos.
Outra função que o líquido exerce é o de proteger o feto.
 Ele serve como uma almofada aquosa capaz de defender contra impactos, caso a mãe caia ou sofra um acidente, além de preservar o bebê até durante o nascimento, amortecendo as contrações uterinas.
No caso, o meu bebê, fora um óvulo fertilizado fora do útero, numa trompa, e não houvera como transplantá-lo em outro local A trompa, um pequeno tubo através do qual passa o óvulo fertilizado, no seu caminho do ovário para o útero.
O clínico explicara que no caso, se minha gravidez continuasse, o embrião cresceria e tornar-se-ia demasiado grande para a trompa , provocando a sua ruptura.
 Portanto, minha gravidez ectópica, não poderia ser levada até ao fim, precisaria ser removida, para salvar a minha vida.
Porém, o clínico que me examinara, dissera não ter condições de remover o óvulo, pois se encontrara num lugar indevido, onde a cirurgia afetaria meus órgãos vitais,podendo me levar á morte.
Então procuráramos outro obstetra.
Este também ao examinar dissera a mesma coisa e indicou um outro para que eu tivesse o parecer deste.
Eu entrara na sala e agora era um homem maduro usando óculos, Marcos eu o reconhecera no mesmo instante e ele me reconhecera também.
Depois de nos cumprimentarmos, estando ciente do caso me examinara, e muito emocionado me dissera:
Augusta querida, quero ser em tua vida precursor de alegrias sempre, mas também eu recuso realizar tal cirurgia, vamos entregar este caso nas mãos de Deus, embora estarei de teu lado para esperar o momento certo.
Então eu passara a fazer o pré Natal com ele, ou um acompanhamento de um desfecho que ninguém de nós saberíamos n o que iria resultar.
Todos os meses ,ao me examinar,dissera ele, a criança estar ganhando peso, inexplicavelmente viva, e todas as vezes ele se emocionava e me dissera ser um caso extraordinário,eu porém, sempre pedira a Deus que assim  fizesse a vontade dele.
Era um menino, no qual poríamos o nome de Gabriel, caso sobrevivesse.
Dia após dia, e os nove meses se completaram sem que houvesse hemorragias, dores agudas ou coisas assim, e Marcos ficara espantado com o fenômeno, o feto se desenvolvera normalmente num lugar onde cientificamente, não houvera explicações, para tal fato.
A minha cesariana seria de grande risco, por isso, no dia dera um forte abraço em Maia e pedira ao Renato bastante fé para que tudo corresse bem.
Renato fora proibido de ficar no centro cirúrgico, devido a delicadeza do caso, mas tudo correra normalmente, pois os médicos conseguiram remover o bebê sem nenhum dano, nem para ele, nem para mim.
Eu ouvira Gabriel chorar, e chorara também, pedira para deixarem ele um pouco comigo,mas as enfermeiras o levaram, depois da cirurgia eu passara meio dia sonolenta na sala de recuperação, e toda hora pedira para ver meu bebê.
As enfermeiras diziam que ele precisaria ser mantido na estufa.
Em um determinado momento, Marcos entrara no quarto e me dissera:
Augusta!
Vamos ver o teu bebê?
Ele me empurrara com a maca mesmo e as enfermeiras puseram ele no meu colo.

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Izildinha