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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO


Então, assim como as circunstâncias me levaram,eu precisara estar só , para vivenciar uma paz mais pronunciada e sentir a vida mais plena, e mais de perto.
Porém, as pessoas, jamais perdoarão nossas suposições, as quais formamos ao redor destas.
Meu padrasto ,fora o espinho mais dolorido, que eu tivera que esmagar com meus pés descalços.
Fora uma chaga mordaz, que durante a vida, sombreara meus pesadelos, minhas noites mal dormidas, minhas adrenalinas galopantes no peito,enquanto a ansiedade me dominara, fazendo de meu coração, um corcel arredio.
Sempre fora uma pessoa, que tivera no sono, o melhor momento, a inexistência da vida, quando estivera num completo mistério, entre uma e outra dimensão.
Sempre me foram fascinantes as ideias, de que pudera eu,encontrar minha família numa outra dimensão, onde uma paz equivalente, nos cerceara todos unidos numa só consciência, onde Deus reinando absoluto, tudo soubera, tudo vira.
Claro que meu discernimento, ainda apoucado e desvencilhado do conhecimento mais profundo, permeara a margem do  desvende, triscando aqui e acolá, algumas nuances, doadas pelas percepções.
Entender porque algumas pessoas odeiam e outras amam, uma dificuldade, que me assedara, quando entre os animais, de uma mesma espécie, jamais houvera essa conjugação.
Houvera sim entre eles, o instinto, o qual a maior parte da humanidade desprovida do amor, parecera viver movida apenas instintivamente.
Apesar de todos os meus erros, meus sentimentos de culpas, sempre quisera estar bem situada, no ajuizamento de meu caráter, que me compreende como pessoas tentando  legitimar suas ações.
O meu coração de adolescente, estipulara no amor, a minha maior recompensa, quando viera a entender, o quanto salutar me era, quando me sentia amada por Rafaela.
Eu soubera que o amor pudera ser irrestrito ou não, porém sendo amor, isso bastara.
E como uma leve brisa perpassando os canteiros de margaridas, espalhando os polens por toda cercania, Rafaela me fizera precipitar, á altercação, que o amor fizera em minha vida.
Em meus sonhos, sonhara com alguém que me aludira tal sensação, e certamente em troca, meu coração arremessaria os mais carinhosos retornos, tentando compensar a tal elegância, e ao mesmo tempo a simplicidade, embutida no amor.

Mas eu teria a árdua tarefa de adolescer, sem adoecer, tentando amainar meus conflitos internos, aumentando assim, a ferrenha vigilância.
Contudo, em dias mais obscuros,eu cedia ás minhas fraquezas internas, e deixara que o exterior me abatesse definitivamente de uma forma, que parecera para sempre.
Enquanto novamente, numa avaliação de paciência e resignação comigo, eu me voltara totalmente aos estragos da desconstrução, para  juntar a peças e recomeçar.
Quando refeita entendera, que tudo fizera parte de um contexto, embutido dentro de uma longa história de final feliz.
E a felicidade era latente em mim,eu a sentira, quando pressentira esta, na capacidade de amar, portanto amara tudo ao meu redor, amara até ao desamor que me fizera crescer tanto ao longo da vida, e desvendar nitidamente o seu lado oposto.
Começara a ler livros que me instruíram, outros até me deturparam, mas só pelo fato de discernir, ao que me fora semelhante do que não me fora, considerara de extrema utilidade no meu caráter em concepção.
Ás vezes, observando minha mãe, sentira nela uma pessoa magoada com o seu mundo, porém incapaz de se livrar de tal peso enfadonho que a vida lhe impusera, ela preferira mascarar seus sentimentos e vivera a sombra de meu padrasto, o resto da vida.
Em síntese, vivera uma mentira, a qual ela tentara, de toda maneira incutir na cabeça das pessoas de seu convívio, ser verdade plena, mas infelizmente, ela mentira para uma única pessoa, ela mesma.
E sua imagem caricata, ficara exposta ao mundo, desnudada para avaliações as mais diversas possíveis, pois ela se cercara de pessoas semelhantes a ela, pessoas que achavam normal, investir numa mentira qualquer, e assim tentarem exercer um certo fascínio a quem vivera com vendas nos olhos.
Sentira levemente, o amor perpassando meu coração, ela fora a pessoa designada a dividir comigo, parte de sua existência, quando muitos mistérios rondavam entre nós, acreditara eu também, ter ela grandes motivos.