Meus
cabelos grudavam na minha face, deixando um resto de movimento sobressaindo
devagar.
Pouco
me importara minhas desarrumações pessoais, quando o coração está completamente
desconstruído ao que possa tentar encantá-lo.
Tão
arredio e doce contemplava Ricardo!
A
Luci de sempre, obedecera o coração como um cão obedece seu dono.
Sempre
concordei, mesmo porque sentira nele uma noção única e verdadeira daquilo que
eu sempre fora, e também daquilo que não pudera ser.
Eu
rezava com o olhar contemplando o mar, vendo as gaivotas alçando voos cortados
pelos respingos, e mergulhados em busca da presa.
Esse
lado da Natureza, talvez eu nunca tivera discernimento exato porque tudo assim
acontece, mas por outro lado, nosso corpo alimenta, fertiliza a terra, quando
nascemos interligados pela morte.
Claro
que pensar na morte, quase não condiz com nossos pensamentos, porque achamos
tudo muito brutal e chocante.
Porém,
quem já vivenciara uma experiência que tocara a morte por algumas frações de
tempo, sempre tivera uma história reconfortante para relatar, embora bem poucos
de nós queiramos ouvir.
Entrelaçados
amor e vida também passeiam em nossas orlas marítimas da saudade.
Rapidamente,
arrancada dos pensamentos ,por alguém que passara por mim,
quase tropeçando
em
meu corpo
estendido na areia curtindo o sol
do amanhecer,
sempre gostei de tomar sol no amanhecer
ou entardecer, pois nunca corria o risco de
passar dos limites, ao passo que o sol da
metade do dia me deixava
a minha pele branca, toda
vermelha.
Ele era moreno esguio e corpo
atlético, sem sinais de malhações, uma beleza clássica e suave, sem músculos
saltando para todo lado.
Levantei o olhar para admirá-lo e
nesse momento ele também olhou para o meu rosto, foi um encontro de lentes
escuras, as nossas lentes, a minha e a dele.
Era praia de Caraguatatuba,
tranquila quase deserta, ele e mais dois amigos eu Luci e minha prima Érica, o
tempo parecia espreguiçar e a praia
bocejava caindo lentamente quando o sol entre as montanhas aparecia e se
escondia como se estivesse brincando com a
mesma.
Ele foi até um ponto da orla e
parou junto de um amigo admirando o mar distraidos,eu fingindo que não via,
espreitando tudo por trás das lentes escuras.
Depois
eles
voltaram,
e
quando
chegaram
em
nossa
direção
os
amigos
continuaram
e
ele
parou
na
minha
frente,
dizendo
que
a
praia
estava
maravilhosa
e
que
o
vento
fresquinho
era
espetacular.
Eu sorrindo concordei com ele, aí
ele esticou mais
a conversa e de repente já estávamos falando de nós
,de
nossos estados civis, inclusive.