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domingo, 25 de janeiro de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_O SOL DO ENTARDECER


Meus cabelos grudavam na minha face, deixando um resto de movimento sobressaindo devagar.
Pouco me importara minhas desarrumações pessoais, quando o coração está completamente desconstruído ao que possa tentar encantá-lo.
Tão arredio e doce contemplava Ricardo!
A Luci de sempre, obedecera o coração como um cão obedece seu dono.
Sempre concordei, mesmo porque sentira nele uma noção única e verdadeira daquilo que eu sempre fora, e também daquilo que não pudera ser.
Eu rezava com o olhar contemplando o mar, vendo as gaivotas alçando voos cortados pelos respingos, e mergulhados em busca da presa.
Esse lado da Natureza, talvez eu nunca tivera discernimento exato porque tudo assim acontece, mas por outro lado, nosso corpo alimenta, fertiliza a terra, quando nascemos interligados pela morte.
Claro que pensar na morte, quase não condiz com nossos pensamentos, porque achamos tudo muito brutal e chocante.
Porém, quem já vivenciara uma experiência que tocara a morte por algumas frações de tempo, sempre tivera uma história reconfortante para relatar, embora bem poucos de nós queiramos ouvir.
Entrelaçados amor e vida também passeiam em nossas orlas marítimas da saudade.
Rapidamente, arrancada dos pensamentos ,por alguém que passara por  mim, quase   tropeçando  em meu corpo
estendido na areia curtindo o sol do amanhecer, sempre gostei de tomar sol no amanhecer ou entardecer, pois nunca corria o risco de passar dos limites, ao passo que o sol da metade do dia me deixava  a minha pele branca,  toda vermelha.
Ele era moreno esguio e corpo atlético, sem sinais de malhações, uma beleza clássica e suave, sem músculos saltando para todo lado.
Levantei o olhar para admirá-lo e nesse momento ele também olhou para o meu rosto, foi um encontro de lentes escuras, as nossas lentes, a minha e a dele.
Era praia de Caraguatatuba, tranquila quase deserta, ele e mais dois amigos eu Luci e minha prima Érica, o tempo parecia espreguiçar e a praia bocejava caindo lentamente quando o sol entre as montanhas aparecia e se escondia como se estivesse brincando com  a mesma.
Ele foi até um ponto da orla e parou junto de um amigo admirando o mar distraidos,eu fingindo que não via, espreitando tudo por trás das lentes escuras.
Depois eles voltaram, e quando chegaram em nossa direção os amigos continuaram e ele parou na minha frente, dizendo que a praia estava maravilhosa e que o vento fresquinho era espetacular.
Eu sorrindo concordei com ele, aí ele esticou  mais a conversa e de repente já estávamos falando de  nós ,de nossos estados civis, inclusive.