Depois da licença, quando voltara ao trabalho, ela já tinha quase um aninho de idade, ficava com uma babá conhecida minha.
No início, eu ficava com muita saudade ,e não via a hora de regressar para
segurar meu bebê no colo,
conversar com
ela e brincar.
Sharid estava atravessando uma fase
estressante no trabalho,
muito serviço, e
ás vezes se estendia até de madrugada em casa também.
Muitos processos e uma infinidade
de pendências, quase insolúveis,
que
passadas para ele,
as resolvia
com a maior rapidez,
mas trabalhava
muitíssimo.
Ele era um excelente advogado e
gostava do que exercia,
também nas
horas espremidas curtia nossa filhinha.
Eu tinha uma amiga desde os tempos
da faculdade que se chamava Beatriz, também ás vezes olhava a Rute quando tinha
tempo.
Ela dizia que gostava muito de crianças
e por isso fazia questão de ficar com ela, uma vez que não pretendia nem se
casar e nunca ter filhos.
Eu nunca questionei nada, uma vez que era
decisão dela, mas o amor pela nossa filha, fazia de nossa vida um paraíso,
mesmo com todo trabalho e responsabilidade do mundo, depois da chegada de Rute, nossa
vida ganhou um sentido mais amplo e verossímil.
Minha mãe também me auxiliara de vez em quando ,e assim íamos tocando nossa vida.
Beatriz também almoçava conosco aos
domingos e comumente saíamos juntos para visitar um parques, museu e outros
Eu deixei o trabalho e me dediquei
exclusivamente á minha filha,
passei a
ser sua baba também daí em diante.
O tempo passou rapidamente e nossa
filha Rute fora
para
a primeira série primária,
e já
era uma menina linda,sábia e falante.
Quando ela começara a escrever, era uma festa ,ela lia todas as
placas e propagandas que víamos pela cidade.
Aos domingos, quando íamos passear era uma
diversão á parte,nossa filha catando letras e juntando por todos os lados.
Sharid gostava de comprar joguinhos
com letras,
e ela
passava horas juntando palavrinhas,
e
escrevendo mil coisas.
Rute nos ensinava muito,inclusive o
quanto a vida pode ser gratificante,
quando
damos passagem e vamos regando nossas sementes para que germinem e se espalhem
com os ventos da sabedoria ,deixando nossas marcas como pétalas de
flores por todos os lados.
Quando tinha tempo, Sharid juntava papéis de embalagem, e recortava dando para ela montar
suas historinhas,ela adorava e nós ríamos e nos emocionávamos com as
historinhas contadas por ela.
Ela observava todos os acontecimentos, e depois obviamente,na historinha
da semana,lá estava o fato implícito.
Era emocionante também,ela tinha todos
os traços de uma escritora.
Ás vezes,éramos eu e Sharid o par
romântico da história da semana,outras vezes nossa amiga Beatriz com algum
conhecido do prédio
Quando não,as personagens eram animais que
ganhavam uma roupagem de gente.
Enfim, Rute escritora, fora enchendo a estante com suas
escritas enquanto os anos,também passavam.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha