Eu
arrumara minhas coisas numa parte daquele armário destinado ao meu quarto e á
minha cama, como eram poucas coisas, não tive grandes dificuldades em me
acomodar.
Naquela
primeira noite, embora chateada pelo silêncio de Leo,caíra na cama dormindo, no
outro dia levantara e tomara um banho rápido e fora para o trabalho, aquele dia
apesar de tudo, sentira que houvera resolvido uma parte importante de minha
vida, que seria a ausência de meu padrasto definitivamente.
Tentara
ligar para o Leo,mas ele não me atendia mais, com certeza a história houvera
chegado ao ouvido dele de maneira diferente,eu me arrependera tanto não ter
contado a ele logo de imediato, agora houvera perdido meu amor, por causa
disso.
Rezara
para Deus me dar forças e naquele dia atendera os clientes mais animada, como
almoço eu levara um pão com margarina, que também seria meu café da manhã e meu
jantar, certamente uma semana passaria rapidamente., depois eu mesma poderia
preparar minha comida, pois tínhamos uma cozinha com fogão lá na república
Fizera
amizade com algumas meninas e elas pareciam bastante alegres e felizes, também
hospitaleiras, pois me receberam com carinho e eu me sentira amada entre elas.
Leo
literalmente, sumira de minha vida, sem sequer me dar um motivo, ou
satisfações, e tudo estivera consumado, do jeito que minha mãe e meu padrasto
sonharam, mas eu não entendera como eu me sentira triste é verdade, porém mais
forte.
Então
me vieram os ensinamentos de Rafaela em minha memória, quando ela me dizia, que
eu seria uma mulher mais forte, sobrevivendo ás intempéries da vida.
Eu
perdera Rafaela, depois o Marcos, agora o Leo, as únicas pessoas que me amavam,
mas tudo bem,pensara eu,faz parte da vida, preciso me amar bastante, aprender a
conviver com o trauma do estupro e não ficar com pena de mim mesma.
Os
dias passavam rapidamente e meu pagamento chegara, então organizara minha vida
e as coisas pareciam se encaixarem rapidamente.
Procurara
não ter raiva de Leo,talvez ele não soubesse ao certo o que seria conviver com
abusadores, a sua família parecia exemplar e ele sempre me parecera uma pessoa
muito amada pela família.
Já
haviam passado dois meses que eu me mudara para a república, embora houvera me
adaptado, porém existiam noites em que a
farra dos estudantes adentravam a madrugada, eu precisara ter muita paciência e
me acostumar a dormir com o barulho, mas era difícil e eu não tinha com quem
reclamar.
A
festa era na cozinha do lado do quarto então era som ligados, conversas e risos
até altas da madrugada.
Eu
comprara uns aparelhinhos para mergulho e colocava nos ouvidos na hora de
dormir, e assim, aos poucos fora me acostumando, as meninas nem me convidavam
para as festas porque sabiam que eu trabalhava e além disso, deviam me achar
chata e careta.
Minha
família pelo jeito estavam bem,nunca deram por minha falta, pelo menos não
reclamaram de eu ter saído de lá, e felizmente,eu estava longe dos abusos de
meu padrasto, que conseguira me afastar definitivamente, do grande amor de
minha vida, levando uma parte importante de mim.
Porém,
de nada adiantaria eu ficar lamentando,eu precisara tocar minha vida para
frente, vencer meus medos, minhas ansiedades sozinha, apesar de tudo, era
ciente de que os piores inimigos meus, eram aqueles que moravam dentro de mim.
Uma
vez vencidos estes, nada mais me impediria de atingir os meus objetivos.
Outros
rapazes começaram a surgir em minha vida, porém eu estava determinada a me
conhecer,me amar o suficiente antes de mais nada, fizera alguns amigos na
faculdade e algumas amigas também, mas sempre me limitara a falar de minha vida
particular, sendo assuntos superficiais e corriqueiros, não contendo nada que
nos comprometessem interiormente.
Eu
aprendera a gastar meu escasso ordenado e minha vida financeira havia melhorado
muito, isso me trazia um certo estímulo, uma certa confiança em mim mesma,
gerando grande satisfação.
Dentre
as invalidações recebidas, era aquela de que eu nunca tivera noção de como
administrar meus ganhos, por isso entregava tudo nas mãos de meu padrasto, mas
em apenas pouco tempo morando sozinha, controlando meus gastos, provara a mim
mesma, que possuía educação financeira o suficiente, para levar minha humilde
existência em paz, não sendo essa gastadora sem nexo como alegaram eu ser.
Isso
desconstruía em mim uma ideia negativa.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha