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sábado, 24 de novembro de 2012

FRAGMENTO DA FICÇÃO_O HOMEM QUE QUERIA ENGANAR A MORTE


 Já não houvera disparidade entre eles.
Estava formada uma população, igualmente aquela, tão sonhada por Hitler, todos iguais.
Já não haviam motivos para esperança, pois esta era uma realidade.
 Um fato e suas imagens mostravam o seu estado sempre, porém, quebraram todos os espelho, deixaram de reconhecer sentimentos de felicidade ou infelicidade.
Ostentavam uma felicidade encanecida, desvinculada, porque precisavam dessa referência, desse sentimento concreto na fotografia.
 Porém, nada sentiam.
Eles começavam o dia fazendo selfies, postando em suas redes sociais e todos curtiam todos.
Sem sentimento, pois a felicidade passara do abstrato para o concreto, uma imagem apenas.
Era expressamente proibido falar de dores, de sentimentos que expressassem.
 Os que não morreram eram todos fortes, e principalmente insensíveis.
Tomar remédios, sentirem dores, era coisa dos pobres mortais, geração, que fora extinta do planeta, chamada geração suprimento.
Aquelas pessoas vítimas de abusadores.
Agora eles se sentiam vazios e não podiam sugar um ao outro ,pois todos se envenenariam ao mesmo tempo.
Revestimentos exteriores, entretanto muitos vácuos por dentro.
Completamente desnutridos de qualquer sentimento, examinavam seus dedos, seus pés, e não encontravam diferença entre eles.
A ausência de amor e dos mortais, os empobrecera de maneira irremediável.
Tudo precisava ser tudo e todos precisavam serem todos, caso contrário, poderia  despertar, quem sabe alguma reação terrível.
Assim foram passando décadas, séculos.
 E em cada década, houvera uma mudança em suas constituições, uma elegância cunhada de  monstruosa .
Fora o novo padrão de beleza da modernidade.
Mas, encontravam se frágeis, precisando de uma substância qualquer, para lhes acrescentar algo mais.
 Contudo, já não tinham aquelas pessoas, que desapareceram há mais de três séculos e estavam ficando todos perdidos.
 Surgira uma amargura incurável, inerente á eternidade, porém quem dela não fora afetado, não pudera ser considerado normal, muito menos eterno.



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Izildinha