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sábado, 12 de agosto de 2017

RESIGNAÇÃO

Uma das coisas que não consegui aprender com ele, foi a resignação, ele nunca reclamava de nada,e olha que a vida lhe foi dura, passou por provações dificílimas,porém,jamais eu o ouvi reclamar,era de uma fé contagiante,avassaladora...
Minhas primeiras lembranças dele,sempre foram de lutas,de muito trabalho ,de muito sofrimento também,ele sobreviveu a dois filhos,e não pretendo me estender nesse ponto,porque simplesmente não encontro palavras para isso...
Simples,porém altivo quando mais jovem,protetor,determinante e corajoso,a vida o fez assim,acredito que de outra maneira ele sucumbiria,mas por outro lado,aquele homem doce,apaixonado pelos filhos,pela família...
Lembro-me, que quando eu o acompanhava á missa,ele sempre era o último a sair da igreja,rezava até o último instante,e quando o sacristão ia fechá-la ele pegava seu chapéu e eu ansiosa o acompanhava...
Hoje,as comidas que são desprezadas pela população,naquele tempo era manjar dos deuses,então ele ia até a padaria,pedia um refrigerante grande e um pão fatiado,um prato cheio de mortadelas rosadas e redondas fatiadas bem fininhas,cheio de palitinhos espetados por todo prato...
Como era bom se sentir protegida,amparada por um pai tão forte,que hoje imagino eu,quanta coragem ele dispendia para nunca reclamar de nada...
Ás primeiras rimas,aprendi com ele,o primeiro dia da escola,lá estava ele do meu lado,me passando segurança,talvez tenhamos herdado dele algumas coisas,mas impossível resistir as intempéries da vida com tanta fé,como ele o fez...
Ele era temente a Deus,mas não um Deus que fizesse tudo por ele,mas sim,um Deus que tinha todas as respostas,sem que ele fizesse pergunta alguma,falar de meu pai,para mim é tão simples e ao mesmo tempo complexo,mas,em síntese,ele deixou imenso vazio,e muita saudade...
Lembro-me das risadas que ele dava quando achava alguma coisa engraçada,lembro dos sorvetes e balas que ele nos comprava,dos doces em forma de velinhas coloridas e em cada uma delas um anel com uma pedra colorida,e ele tinha o capricho de escolher um de cada cor...
Agora,quando chega o dia dos pais,talvez nem tanto por isso,mas tudo me remete a ele,de maneira mais acentuada e forte,então a saudade daquele senhor magrinho,faz um barulho imenso em meu coração.