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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

PRISMA.


 A  cidade passeava diante de meu olhar,uma nuvem densa de gotículas quase imperceptíveis havia descido sobre a montanha que parecia uma chaleira fumegante espalhando fumaça gelada...
Nas cidades perto do mar,entre as montanhas,chove quase todos os dias,mas é uma chuva bem diferente,não se percebe as gotas que parecem cachoeiras, que molham bastante,um véu da Virgem Maria,e ficam dias a fio desse jeito,mas quando as montanhas resolvem se secarem,o sol se planta como um grande girassol,girando  sobre um mormaço úmido e abrasador...
O clima ameno e suave me colocava em uma certa harmonia,dessas que poucas vezes se experimenta na vida...
Era domingo de manhã...
Pensei comigo,em todas as angústias,quando ao abrir minha mão ,deixei escorrer pelos meus dedos,minha São Paulo querida,pensei que só ganhamos perdendo alguma coisa também...
As minhas ruas preferidas,o meu bairro em que ao caminhar de manhã aos domingos, logo cedo,sentia o perfume do pão quentinho com leite e café,onde os madrugadores faziam seus desjejuns,as minhas colegas de trabalho que se tornaram minhas amigas,minhas vizinhas de prédio que não sei quando as verei de novo...
O Gomes,nosso zelador,pessoa singularmente encantadora sempre passava muita segurança a todos os moradores,enfim,éramos uma família...
Mas voltando a essa nova minha cidade,encrustada entre o mar imenso e montanhas espetaculares,adentrou dentro de meu coração com uma força tamanha,á medida que fui desvendando seus espaços,fui me sentindo livre...
Era meu sonho,o pedido em minhas rezas,e agora estou eu aqui,sentindo saudade de São Paulo...
Logicamente,só sentimos saudade daquilo que nos foi muito bom,e apesar dos atropelos,da vida corrida,São Paulo é uma mãe que abraça e acolhe a todos...
Como não podemos estar simultaneamente em dois lugares ao mesmo tempo,durmo avizinhada com o mar e defronte montanhas espetaculares,que a querida São Paulo me proporcionou.
E quando no prisma de um entardecer encantador,sento-me defronte  oceânica contemplação,e apreciando as gaivotas, que riscam o céu rente ao oceano,as ondas que se quebram liquefeitas,em  mil formas ornamentais, e a doce sinfonia da paz,toca ligeiramente meu coração.