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quinta-feira, 14 de julho de 2016

SENSAÇÃO

Encontrei uma sensação andando na orla do mar,todo tímido,recatado,olhando para baixo,mas esse olhar me revirava inteira como que se eu fosse uma navegadora muito conhecida,por aquelas bandas,mas não,eu havia apenas me mudado para aquela região,e sofrida ainda estava,lembrando as ruas de São Paulo agitadas,que me tiravam o sono quase sempre,pois relaxar depois de um dia estonteante,sempre me fora tão difícil!
Então,o mar passou a ser meu sonho,o mar me curaria do ostracismo,da independência custosa,daquele quadriculado apartamento infetado de baratas,que á noite transitavam no escuro me desafiando.Então, eu sempre dizia, isso um dia passa,digo adeus a tudo isto e vou me avizinhar do majestoso,do impetuoso,o imenso mar.Aí farei a ele todas as minhas perguntas,olharei demoradamente para cada criança,ou adolescente caiçara, que brinca despreocupadamente até a noite tardar,sem celular na mão.
Quase perguntei á sensação, porque o povo gosta tanto de música brega, que fala daquelas paixões desenfreadas, músicas totalmente depressivas, mas que só curtem,pois trazem no olhar,no rosto um sorriso feliz,quem vive isso,talvez sejam os paulistanos,mas curtem música clássica...
Mas não,continuei andando e me distanciando desta,mas se sei seu nome,alguma coisa nos conversamos,ou foi apenas aquela percepção de que pessoas que olham e vêem os outros no reflexo da areia,chamam-se sensação...
A tarde estava prenunciando um inverno livre,destemido,onde o vento bisbilhotava por sobre as montanhas,as casas,os corpos,franzindo o mar,induzindo nervuras encrespadas.
Longe,bem longe,uma gaivota fazia uma reviravolta de vôo,devia estar no encalço do jantar que despreocupado nadava nas profundezas.
Meu coração catalogava tempos de novo, pois acabara eu, de virar mais uma página de minha vida,fechar um ciclo e abrira outro.Agora estava conhecendo a vida perto do mar,perto de um povo humilde,calado e falante ao mesmo tempo.
Um vizinho meu,me disse que a vida para ele se resumia, em um dia de cada vez,veio nos fazer uns remendos na casa,e do seu modo,tudo acabou perfeito...Outros dias,eu o encontrava de bicicleta,fazendo entrega de pães caseiros,salgadinhos,vendendo sorvetes na praia.Aprendi com ele que assim vive um homem de muita fé.
Um filho de uns cinco anos,doente dos rins,morando todos juntos,pai,mãe e irmãos e seguindo o curso da vida.
Eu parei para pensar,como sofremos por besteiras que nunca temos,por problemas que não existem,portanto nunca conseguimos solucioná-los.
Dei meia volta nas ondas do pensamento,me reergui totalmente diante de uma nova aprendizagem,que gritava diante de mim,feito um mar silencioso,feito ondas em meu coração,aí o sol saltou da montanha e espargiu um tom ocre induzindo incrível sensação,por toda cercania.