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terça-feira, 21 de julho de 2015

ESTRANHAMENTE LIVRE

A rua estava movimentada, sábado de manhã, verão estupendo, muito calor, pessoas com seus pacotes de padarias, um cheiro do pão quentinho,do café com leite, emanando no ar,punha um sabor de manhã, nas ruas,e em todas as padarias também.
Eu saíra para caminhar, e estava voltando, quando a algumas quadras,de minha casa,um amontoado de pessoas,olhando e alguém discursando muito alto,decididamente,pausadamente e de maneira elegante,e espetacular...
Cheguei mais perto, diminuí o passo, para me certificar do que se tratava, aquele discurso estava acalorado, em todos os sentidos...
Era um rapaz, meio aspecto de morador de rua, porém resvalando no bem apresentável, de uns quarenta anos, mais ou menos, trajando vestes simples, mas mesmo assim, mantinha um certo brio na voz, e na postura também...
Dizia ele:_Eu sou livre,ando cortando o vento,durmo onde eu quero,não me importo com o que as pessoas,feito eu,vão pensar a meu respeito,quanto ao que visto,ao que consumo...
Continuou ele,se acabar a água desta cidade,não dependo tanto assim,de água para viver,se acabar a energia,durmo no escuro a céu aberto,olhando as estrelas...
Ainda mais animado continuou: _Não sou escravo da Internet, dos celulares, eles não precisam do meu dinheiro, e eu não preciso do serviço deles, vocês são todos escravos,dizia ele,eu sou” livre”,caminho livremente,como alguma coisa para sobreviver,visto a roupa que carrego no corpo,calço apenas um par de sapatos,não carrego malas,não ando preocupado com contas a pagar,não tenho endereço,nem cidade fixa,não me apego a nada,portanto nada tenho, que carregar sob meus ombros,[concluindo],sou uma pessoa livre e feliz,que um dia fenecerá também,mas,vocês seguirão o mesmo caminho,embora estejam fazendo de tudo para esquecerem esse fato...
Já, quase atravessando, todo aquele povo parado, depois de ouvi-lo, meu olhar cruzou com um olhar, e uma voz que me disse: _E não é, que ele tem razão?
Acenei que sim, com a cabeça e continuei, sem a menor sombra de dúvidas, de como alguém consegue, estranhamente, ser tão livre assim...