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segunda-feira, 15 de junho de 2015

PRIMEIRO SEGREDO

 Ele veio de outra cidade,era quase metade do ano, quando o vi pela primeira vez no pátio da escola.
Dentro da sala de aula, eu não o havia notado.
Estava na primeira série do primário e ele estava na segunda.
Aquela sala de aula era apertadíssima, foram juntadas duas séries por falta de espaço e de salas também.
Eu era de uma timidez imensa, e não queria e nem me permitia estar apaixonada por ele.
Sabe aquelas coisas das menininhas sempre gostarem do maiorzão da sala?
Hoje fico imaginando que ele devia ser repetente, por isso estava na segunda série quase mocinho.
Antônio era o nome dele.
Cabelos lisos e castanhos, nariz bem afilado, pele bonita sem nenhuma espinha sequer.
Ria muito o tempo todo quando estávamos no pátio.
Então, senti pela primeira vez, o que era estar apaixonada.
Diante dele, eu ficava desconcertada, desconcentrada e fazia de tudo para que ninguém notasse.
Percebi também que junto da paixão, já houve um início de sofrimento.
A proibição.
Desejei muitas vezes, ter mais idade, hoje parece besteira, mas naquele tempo, seria uma das alternativas.
O ano letivo passou, e no finalzinho do ano, por altos, ouvi-o dizer que ia embora de novo.
E lá se foi a minha primeira paixão, sem que nos trocássemos uma palavra sequer.