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domingo, 26 de abril de 2015

BRASÍLIA PARA QUE TE QUERO

Brasília, desde 1959, sempre representou muito para qualquer brasileiro essa palavra...
Despóticos do poder, e outras coisas mais...
Depois a indústria automobilística representada pela Volkswagen presenteia seus consumidores com a Brasília que se torna um carro bem cotado no mercado...
Mais tarde um pouco,vem a famosa frase,que é mais ou menos isso “Carro a álcool um dia você vai ter um”,e entre umas e outras,minha história começa...
Era meados de setembro, meu marido havia pegado férias do trabalho, as tão esperadas férias, que nunca eram no final do ano ou no meio,pois dentro do banco,outras pessoas poderiam se utilizar dessas prioridades,então sobravam,agosto,setembro,ás vezes até outubro...
Pois bem,meu cunhado havia comprado um carro zero bala,todo branquinho,movido a álcool que se chamava Brasília.
Combinar um passeio?E por que não?
Praia, uma época meio morta ainda, clima ameno e lá fomos nós.
Saímos de madrugada de Ribeirão Preto rumo á Peruíbe...Meus dois meninos um de 6 ,outro de 3 anos,irradiantes de felicidade...
Meus sobrinhos,um de 3 outro de 1 aninho,juntando-se com  Beto e o Luciano...
A algazarra das crianças num conversê danado tomou conta do interior do carro.
Meu cunhado atento na direção, minha irmã do lado com o bebezinho ,eu meu marido e mais 3 crianças atrás...Felicidade!
Foi uma maravilha até chegar em São Paulo...
Mas foi aí que a Brasília resolveu emperrar...
Eu na direção,minha irmã do lado,e as crianças fazendo uma festa...
Que até já era meio irritante...
Bem, já no Posto de combustível, foi verificado que se tratava de uma alcoólatra inveterada,a nossa transportante....Havia consumido tudo e muito mais...
E foi assim até a chegada do Litoral Paulista que de São Paulo até lá se tornou uma viagem interminável...
Quando chegamos já era noite e fomos procurar uma hospedaria.
Enquanto meu cunhado acertava as coisas na portaria, fomos descendo malas e crianças...
Entramos e uma camareira nos indicou os quartos...
Minha irmã tirou o sapato do pé,esfregou com a ponta dos pés no piso e disse á moça:-Por favor! Pegue um pano com um balde cheio de água e desinfetante e limpe isto aqui...
Para as crianças era uma festa, eles viram que haviam beliches no quarto, com 3 andares e começaram a disputar com brigas,quem é que ia dormir na terceira cama lá em cima de todo mundo...
Subiram os 3 e a beliche arreou,minha irmã escorou tudo com o braço para que eles não se machucassem...
Não dissemos uma só palavra,uma para outra,catamos nossas malas e rumamos para a portaria e dissemos ao dono da estrebaria que não íamos ficar.
Ele encrespou com meu cunhado, que não entendia o porque de nossa atitude,estava muito irritado porque havia fechado a Brasília com a chave dentro,já haviam ligado para o chaveiro que chegou loguinho, e resolveu a situação...
Bem,meu cunhado desconfiou que o chaveiro havia se encantado com as passageiras da Brasília que éramos eu e minha irmã...O clima ficou tenso e rumamos para outra hospedaria, só que não dava mais tempo para escolher, portanto se não era igual a outra,talvez fosse até pior...
Á noite fomos jantar num Shopping perto de onde hospedamos, as bananas empanadas eram maravilhosas, mas meu cunhado não quis jantar...
Pregados de sono e cansaço fomos dormir, mas quem disse que conseguiríamos?
Logo que deitamos chegou um ônibus de excursão que vinha de Belo Horizonte...Ôh povinho barulhento,batucaram até amanhecer o dia,meu sobrinho de 1 aninho acompanhou o batuque todo aceso no colo de minha irmã...Quando estava amanhecendo o dia,o pessoal do ônibus silenciou e meu sobrinho dormiu.
Meu cunhado que não havia jantado, morto de fome, espiou e viu que tinha uma padaria aberta em frente a hospedaria...
Combinamos e saímos de ponta de pés,fechamos a porta do quarto do lado de fora e fomos correndo tomar um café na padaria...
Nem havíamos sidos atendidos quando ouvimos os gritos do meu sobrinho menor...
Largamos tudo e voltamos correndo e a essas alturas,todos estavam acordados e para variar chovia muito e fazia muito frio...
Resolvemos que almoçaríamos em algum lugar e voltaríamos, sem sequer tocar os pés na água...
Enquanto vacilei fazendo as malas,meu filho de 3 anos escapou...
Foi um desespero total, meu marido e meu cunhado foram apanhá-lo na praia que ficava perto da hospedaria...
Meu cunhado sugeriu que fôssemos almoçar numa barraquinha da praia do Perequê, que segundo ele,fazia uma comidinha legal...
Nove horas da manhã e todos nós famintos procurando comida...
Bem acertamos com uma barraquinha chinesa um arroz com mariscos e filé de peixe grelhado...
Enquanto nos ajeitávamos á mesa olhamos na cozinha do restaurante ambulante e vimos um cachorro enorme embolado com a cozinheira...
Nem falamos nada,levantamos e fomos embora.
Acabamos comendo qualquer coisa e botamos o pé na estrada para voltar para casa.
Aí a Brasília encrencou de vez, bebia litros e litros numa só acelerada...
Num Posto compramos galões de álcool para colocar quando acabava...
Ela literalmente,num instante acabou com todos,de madrugada meu cunhado se deu por vencido,com um dos pneus arriado e o Posto de Abastecimento fechado,encostou perto de um engradado de macacos,para lá pernoitarmos todos dentro do veículo....
Aquela foi a noite mais fria do ano,em pleno mês de setembro,automaticamente no meio da noite meu marido se enrolou no único agasalho que era a manta do meu sobrinho de 1 ano, e minha irmã resmungava:--Deve ser uruca do meu compadre isso,acho que uruca deve ser um neologismo criado por ela,nunca procurei saber o que significa,mas rio quando lembro.
As ostras servidas na praia nos deram dor de barriga e precisávamos sair num vento cortante para ir até o banheiro do Posto a noite toda.
Amanheceu o dia e viemos embora com o serviço de borracheiro e mais um tanque cheio.
Ela conseguiu esvaziar todas as nossas reservas do passeio e mais que isso, a nossa paciência...
Na noite seguinte já em minha cama, pensava o quanto era bom estar em casa, passei a dar outro valor para o aconchego do lar, e meu marido dormia tanto que parecia nem respirar.