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domingo, 25 de janeiro de 2015

AUSÊNCIA

A janela exauria um calor morno vindo de dentro para fora.
O tecido puído da velha cortina balançava fazendo uma leve sombra dançar diante do raio do sol.
Meu pai em silêncio...
Um olhar pelos campos, onde as florinhas silvestres apinhavam-se sobre as árvores silenciosas.
Elas deviam estar falando algo sobre o Natal...
As garrafas de refrigerantes dentro da estopa e o gosto
infalível dos pudins simples e caseiros, davam vida ao nosso Natal
Nos sapatos cheios de capim, que antes sempre brotara uma linda boneca com vestido de chita bordada, nesse Natal amanheceram intactos.
Adorávamos aquelas simples bonecas e as apertávamos contra o peito, lívidas e agradecidas.
Como deve ser maravilhoso o Papai Noel!
Entrava pela chaminé devagarzinho e sem perturbar nosso sono, deixava - nos impressa sua marca de felicidade e sai sorrateiramente sem que percebêssemos.
E a fantasia era alguma coisa que dançava dentro da imaginação e pairava na maior gratidão do mundo.
Ele veio, esteve aqui...
Mas nesse Natal, meu pai olhou triste para nossos sapatos cheio de capim, e convicto disse que aquele ano, Papai Noel não viria...
Hoje, depois de tanto tempo passado, reflito o quão triste para ele, foi aquela “ausência “do papai Noel.